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    Gosto!...

     

    Rasgar silêncios cópia

     

    A arte de calar

     

     

     

     

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    Muitas vezes basta um olhar, um olhar suspenso, teus olhos sobre os olhos do outro…

     

    Queres adivinhar o significado dos brilhos, ler o futuro imediato mais além da pupila,

    Queres dizer muitas coisas mas sabes que deves aguentar a ansiedade.

     

    Isso, aperta os lábios.

     

     

     

     

     

    Permite que as ideias circulem sem que saíam ao exterior.

     

    Alarga o espaço entre as perguntas e as respostas, deixa que os músculos do rosto relaxem, espera um sinal de alerta.

     

    Mantém a respiração

    Pensa que o outro também pensa

    Analisa.

    Espera.

     

     

     

     

     

    A economia das palavras não é virtude exclusiva dos monges da clausura.

    É um jogo que pratica quem sabe fazer-se de louco, daqueles que entendem que nem todas as perguntas precisam de resposta,

    que a solução nem sempre chega ao abrir da boca

     

     Para quê dizer tudo?  

     

     Porque não conservar no interior de ti próprio uma dose razoável do que pensas?

     

    Porque não converter em segredo algumas ideias que fazem em ti uma aparição imprevista,

     mantendo ao menos a ilusão de que o tempo se encarregará de as amadurecer e as transforme em firmes convicções?

     

    Porque não entender que a palavra jamais deverá ser mais rápida do que o pensamento e que nem tudo o que nos cruza o cérebro se poderá converter em palavras?

     

     

     

     

     

    Entender que também se pode falar com gestos.

     

    Que o silencio por vezes grita.

     

     

     

    Aprendemos a guardar silêncio nos hospitais, nos funerais, nos actos solenes. Guardamos esse silêncio por pudor, por respeito, por dor…Guardamos silêncio pela dor que é incapaz de se converter em pranto e silêncio quando o pranto se esgota e exaustão é tudo o que fica…

     

     

    Haveríamos de aprender a calar por nenhum outro motivo que não fosse apenas e só a nossa vontade.

     

    Calar para escutar.

    Calar para olhar.

    Calar para aprender.

    Calar para calar

     

     

     

     

    Calar para converter o silêncio em cúmplice, para saber que o eco existe.

     

     

    Calar para compreender que o silêncio é o que faz os sonhos mais bonitos...

     

     

     

     

     

    Velho Castanheiro

     

        

       

    Há um sitio da minha infância onde ás vezes regresso como que em peregrinação à catedral do passado e do fantástico, onde tudo era possível na dimensão exacta do querer.

    Esse lugar é tão-somente a horta grande, que sempre se chamou Valindo, um nome estranho que se ouve como um grito na luxúria ostensiva dos castanheiros velhos que desafiam o tempo como testemunhas de crenças e paixões.

    Pois um dia, em Valindo, na encruzilhada de dois caminhos, mesmo ali ao pé dum Castanheiro em forma de cruz ressequida que abençoa o vale, um almocreve, vindo dos lados da Réfega, apascentava a mula mansa no sossego da tarde. Uma rapariga fresca como a água que corre na fonte, onde as rãs coaxam há milhares de anos, fazia-se horta na pressa de lavrar a terra funda no anúncio do renovo para nascer. A rapariga, numa expressão gaiata, olha o almocreve de soslaio e num sorriso de cristal desafia:

     

    -Almocreve, já voltaste desse mundo de Cristo?! Que não te casas homem, que não tens descanso!... Que mal fizeste a Deus…

     

    O Almocreve no fulgor dos 20 anos limpa o rosto ao lenço tabaqueiro dum vermelho vivo e como quem tenta a sorte no arredio do amor, desafia:

     

    -Se tu quisesses Maria, vendia a mula e ficava para sempre contigo…vá lá, diz que sim!

     

    -Não sejas tonto homem de Deus! Olha, dá-me um beijo e vai-te embora!

     

    O almocreve, na timidez de quem cumpre uma promessa ao Deus desconhecido do amor, com todo o recato, dá-lhe um beijo na testa.

     

    -Assim não seu tonto, um beijo como um homem e uma mulher, pois não sabes que vou casar contigo!

     

    Pois o almocreve não sabia…e o pai da rapariga lavradeira da horta também não. A rapariga havia de casar, não com o almocreve, mas com o filho do compadre, lavrador abastado de milhão, que tinha um bom tagalho de cabras, terras a perder de vista e adega fresca junto ao ribeiro.

     

    Mas a rapariga endoidou pelo almocreve e a jura fê-la ali, na encruzilhada de Valindo, junto ao castanheiro meio seco:

     

    -Ou caso com o almocreve, ou não caso com ninguém.

     

    E assim foi. A rapariga nunca mais casou para desgraça do pai, honrado lavrador.

    O tempo passou e às vezes, pela calada da noite, a rapariga saindo de casa embrulhada num xaile preto, como quem vai a um funeral, ou a sinistras bodas, lá ia ela como um fadário para junto do castanheiro na encruzilhada de Valindo.

    No povoado já se falava que a rapariga ia encontrar-se com as bruxas à encruzilhada dos caminhos, sobretudo quando a lua era cheia e os grandes bailes das bruxas ganham fama de estrondoso rebuliço e medo. Por isso, ninguém na aldeia tinha coragem de se fazer à horta em noite de lua cheia.

    Contudo, um velho sabido da vida e das coisas do amor, jurava que a rapariga, todas as noites de lua cheia ia encontrar-se com o seu almocreve num amor único, imaterial e sem fim na horta de Valindo.

    O tempo passou e a fama duma bruxa já velha e carcomida pelas longas caminhadas para a horta entrou no quotidiano da pequena aldeia e quando a lua cheia se levantava lá para os lados da ribeira, a velha, mais velha do que nunca lá ia para o seu fadário. As

    Mulheres benziam-se e murmuravam sem rancor:

     

    -Lá vai ela para o seu chamamento…que desgraça, Deus tenha piedade dela!

     

    Mas uma noite, a velha com fama de bruxa e um velho vindo dos lados da Réfega encontraram-se debaixo do castanheiro, sempre debaixo do castanheiro!

     

    -Dá-me um beijo, seu tonto…que se calhar é o ultimo, as pernas já não me ajudam a vir ver-te, almocreve do diabo! Não casei contigo, seu tonto, mas tivemos as noites mais bonitas do mundo…que o diga o castanheiro, que o diga a lua cheia…não me posso queixar!

     

    Bem perto um rapaz e uma rapariga, dentro dum automóvel amarelo, vindos do lado de Espanha, Descansavam junto ao castanheiro e ela no sorriso mais cristalino do mundo, dizia para o rapaz:

     

    -Dá-me um beijo, seu tonto…pois não sabes que vou casar contigo!

     

    Então o velho almocreve e a velha lavradeira da horta, com fama de bruxa, sorriram e entenderam que estavam a nascer de novo, pois ninguém morre para sempre quando se quer bem, que o diga o velho castanheiro, que na morneza da noite de certo já assistiu a mil, a cem mil, não sei quantas juras de amor…para sempre.

     

     

    Fernando Calado - Há homens atrás dos montes

     
     
     

    Um desafio

     

     

    Hoje resolvi fazer algo diferente, uma pergunta, um desafio, mais do que uma brincadeira, uma questão que pode ser até mais séria do que parece…

     

    Na verdade o que eu quero é pedir-vos uma opinião:

     

     Do que é que precisam as mulheres?

     O que é que as faz feliz?

     O que as preenche, as apaixona, as faz cair de quatro por um homem?

     

    Este é um desafio para mulheres e para homens. Arrisco-me a não ter muitas respostas, mas por isso mesmo publico esta questão em vários blogues. Se, no total duas ou três pessoas derem uma resposta válida, dou-me como feliz. Não vale chegarem aqui e dizerem: Ai, isso queria eu saber! Não. Como homem, o que fazes quando queres conquistar uma mulher? E como fazes para manter essa mulher ligada a ti? Pelas palavras? Pelos gestos? Que gestos? E tu mulher? O que te seduz? O que precisas? De que sentes falta? Onde é que eles falham?

     

    Como é? Aceitam o desafio? Eu agradeço. A minha opinião? Vem depois

     

    Beijinhos a todos e por favor…Não me deixem a falar para o boneco, tá?

     

     
     

    Recordações...

     
    DIRTY DANCING- Final Dance
    Colocado por Stella78

    Porque milagres existem...

     

     

    A morte lembrou-se um dia

    dum botãozinho de Rosa

    para sua companhia:

    Pôs os olhos na mais airosa

    das pequeninas que via;

    fez-lhe um aceno, a chamá-la;

    veio achá-la dormindo;

    mas viu-lhe um sono tão lindo

    que se esqueceu, a embalá-la,

    de que viera buscá-la.

     

     

     

    José Régio

     

    Sobre o jantar...

     

     

     

    Olá Ninos e Ninas, as fotos do nosso jantar de ontem estão no meu outro lado. Não editei nada, umas estão melhores, outras piores, foi tudo directo. São 138 e não me chateiem se não conseguirem carregar a página, lol.

     

    Beijinhos

     

    (O link está em cima)

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Isto é só o cheirinho, para abrir o apetite...

     

     

     

     

     

     

    O vestido azul

     
     
    Soa-me um pouco a conto de fadas, mas já que estamos em Dezembro, porque não uma história de Esperança?
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma menina muito bonita. Acontece que essa menina frequentava as aulas da escolinha local num estado lamentável. As suas roupas eram tão velhas que o seu professor resolveu dar-lhe um vestido novo. Assim raciocinou o mestre: "É uma pena que uma aluna tão encantadora venha às aulas vestida assim…. Talvez, com algum sacrifício, eu pudesse comprar-lhe um vestido azul".

     

    Quando a menina recebeu a roupa nova, a sua mãe não achou razoável que, com aquele traje tão bonito, a filha continuasse a ir ao colégio suja como sempre, e começou a dar-lhe banho todos os dias, antes das aulas. Ao fim de uma semana, disse o pai: "Mulher, não achas uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arranjada, more num lugar como este? Que tal ajeitares a casa, enquanto eu, nas horas vagas, vou dando uma pintura nas paredes, arranjando a cerca, plantando um jardim?"

     

    E assim fez o humilde casal. A casa deles ficara a mais bonita que todas as outras da rua, e os vizinhos, inspirados, puseram-se a arranjar as suas próprias casas. Dessa forma, todo o bairro melhorou consideravelmente. Por ali, passava um político que, bem impressionado, disse: "É lamentável que gente tão esforçada não receba nenhuma ajuda para melhorar a vida". E, dali, saiu para ir falar com o presidente da câmara, que o autorizou a organizar uma comissão para estudar que melhoramentos eram necessários ao bairro. Dessa primeira comissão surgiram muitas outras e hoje, por todo o país, elas ajudam os bairros pobres a crescerem e a melhorarem.

     

    E pensar que tudo começou com um vestido azul. Não era intenção daquele simples professor modificar toda a rua, o bairro, nem criar um organismo que socorresse os bairros abandonados de todo o país. Mas ele fez o que podia, ele deu a sua parte, ele fez o primeiro movimento do qual se desencadeou toda aquela transformação.

     

    (Gardel Costa)

     

     

     

     

     

     

     

     

    "E difícil reconstruir um bairro, mas é possível dar um vestido azul".

     

     

     

     

     

    "Sonho que se sonha sozinho é somente um sonho, mas sonho que se sonha junto se torna realidade"

     

     

     

     

    Pele

     

     

                                               

                        

     

     

     

     

     

                           Pele

     

     

    Fechaste as portas do teu mundo

    Na esperança de ele se encontrar

    Vais contando o tempo quase ao segundo

    Parece não querer passar

                                                                                         

    Fazes de conta que está tudo bem

    E andas às voltas quando estás a sós

    Gritos mudos que só tu entendes

    No profundo silêncio que é a tua voz 

                

    Não precisas de te esconder

    Ninguém vai encontrar

    O que está escrito na tua pele

    Só tu para o decifrar   

                                                                             

    Qual o teu traço a pincel

    A história da tua vida

    Escrita, sentida, tatuada na pele

     

    Quem lá escreveu

    Com a tua permissão

    Nem sequer, nem sequer percebeu

    E perdeu a folha pele

    Por entre as mãos

     

     

     

     

     

    Polo Norte

     

     

    Eis-me

     

    Eis-me

     

     

    Eis-me

    Tendo-me despido de todos os meus mantos

    Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses

    Para ficar sozinha perante o silêncio

    Ante o silêncio e o esplendor da tua face

     

    Mas tu és de todos os ausentes o ausente

    Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca

    O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras

    E o teu encontro são planícies de silêncio

     

    Escura é a noite

    Escura e transparente

    Mas o teu rosto está para além do tempo opaco

    E eu não habito os jardins do teu silêncio

    Porque tu és de todos os ausentes o ausente.

     

    (Sophia De Mello B. Andresen)

     

     

    Si tu me amas

     
           
                                                                   
                                                        
                                                                                                                          
     
     
     
     
     
     
     

    Sólo en ti por siempre seré feliz

    Historia que presentí mucho antes

    De vivir en mí

    Porque sólo en ti encuentro lo que

    ayer perdí

    Tú eres en mi existir mi gran

    Felicidad

                                                  

     

     

    Si tú me amas yo seré esa esperanza

    Que jamás se querrá morir

    En este amor sin fin

    Tú serás siempre mi alma

     

     

                

    Despertar paraísos de pasión y paz

    Sé que sólo los podré encontrar

    En mis días junto a ti.    

                                                                      

     Si tú me amas yo seré esa esperanza

    Que jamás se querrá morir

    En este amor sin fin

    Tú serás siempre mi alma   

     

                   

    Si tú me amas yo seré una esperanza

    Que jamás se querrá morir

    En este amor sin fin

    Tú serás siempre mi alma

                                                                      

    Jamás querrá morir

    Abrázame hasta el fin

    Volaré si me amas

                                   

     

    Haces realidad la magia de soñar

    Volaré si tu me amas.

     

     

     

     

     

     

     

    sempre, Nada

     
     
     
     
     
     
     

    - Beija-me, enquanto é tempo.

     

    - Não digas isso. Sabes que é em nós que o tempo dorme.

     

    - Não amor, não sei. E duvido. Vá, beija-me, peço-te.

     

    - Não me peças os lábios que são teus; o beijo que é nosso. Não, não me tomes por dono de nós. Nunca.

     

    - Então, sem demoras, ama-me como me amas.

     

    - Porquê essa ânsia que não é paixão? Já te disse, o tempo não morre nas mãos de quem o morde.

    E enquanto o mar descansar em ti, navegarei rumos certos, navegação directa da polar fogosa; da bússola que são teus olhos. E enquanto o vento for teus braços, meu corpo será esse campo de verde trigo, doirado pulsar, alto mirar, que longe vês. E enquanto os teus pés forem terra, os teus dedos cal, e a tua alma tal, eu serei lustre e espuma e restos de sal. E enquanto forem as Áfricas pernas tuas, e Viana o rosto quente de verde-branca dor, voarei alto, e mergulharei, meu amor. E enquanto fores sabor, e mel, e esplendor, cinzel; e fogo em mim, morrerei por uma noite tua, por uma Lua nossa.

    E quando secarem os poços teus, seca-me, amor, de beijos molhados. Suga-me, paz, de olhos rasgados. E quando a chuva for chaga, e quando o vento for tento, recorda-me os lábios, e a pele, e veste-me. E quando o muro cair, e a chuva cessar; e o vento dormir, e cronos repousar. Dá-me a mão, e leva-me contigo, amor…

    E quando não fores mais que cinza, esse nada aos olhos dos homens, deixarei de ser homem, e serei algo, um algo que te sinta como tu. Nada…

    Não, não temas…temos todo o tempo do mundo para nós.

     

    - Vá, cala-te. E toma-me. E beija-me.

     

    (- Sim, quero-te. E calo-me. E beijo-te. E tenho-te. Sabe.)

      

    Traçado pelo rapaz    - Dias Curtos

    http://orapazquesentiademais.blogspot.com/ 

     

    Filha do Encanto

     

     

     

           

     

             Filha do Encanto 

     

     

                                                                      Tu!…
     
                Que Bebes dos meus Lábios Infinito Pecado…
                Esse Sangue Frio que me Queima…Percorre!
                Sublime! A Essência de um Desejo Sagrado…
                Magia ou Doce Veneno de quem Vive… Morre!
     
                                            Por ti!…
     
                Que Desenhas na Pele texturas de Vida!
                Dor de Incertezas! Paixões de Pura Maldição…
                Finos Fios de Amor Pintam uma Dor Sentida!
                Cabelos Longos! Pincéis do Corpo, Rendição…
     
                                                Teu!…
     
               Corpo de ausência! Domina quem não o Possui…
               Alma divina de desejo não consegue Viver…
               Não é Corpo mas sim Alma, Profecia que Dilui…
               Pinturas de Amor Eterno! Vazio de querer Morrer…
     
                                               E Tu!…
     
               Que de mim Sem Eu Saber Porquê! Te perdeste…
               Derrama no meu Peito a Beleza, O Traço da Paixão!
               Quadro Perfeito que nunca pintaste ou Ofereces-te…
               Chama-me Amor! Numa Palavra pintada de Ilusão!
     
     
     
                                            “Orfeu”
     
     
     
     
     
     

     

    Pequena elegia de setembro

     

     

     

    Não sei como vieste, 

    mas deve haver um caminho 

    para regressar da morte. 

     

     

    Estás sentada no jardim, 

    as mãos no regaço cheias de doçura, 

    os olhos pousados nas últimas rosas 

    dos grandes e calmos dias de setembro. 

     

     

    Que música escutas tão atentamente 

    que não dás por mim? 

    Que bosque, ou rio, ou mar? 

    Ou é dentro de ti 

    que tudo canta ainda? 

     

     

    Queria falar contigo, 

    dizer-te apenas que estou aqui, 

    mas tenho medo, 

    medo que toda a música cesse 

    e tu não possas mais olhar as rosas. 

    Medo de quebrar o fio 

    com que teces os dias sem memória. 

     

     

    Com que palavras 

    ou beijos ou lágrimas 

    se acordam os mortos sem os ferir, 

    sem os trazer a esta espuma negra 

    onde corpos e corpos se repetem, 

    parcimoniosamente, no meio de sombras? 

     

     

    Deixa-te estar assim, 

    ó cheia de doçura, 

    sentada, olhando as rosas, 

    e tão alheia 

    que nem dás por mim. 

     

     

     

    Eugénio de Andrade

     

    Guardador de Rebanhos

     

     

    Guardador de rebanhos

     

    «Olá, guardador de rebanhos,

    Aí à beira da estrada,

    Que te diz o vento que passa?»

     

    «Que é vento, e que passa,

    E que já passou antes,

    E que passará depois.

    E a ti o que te diz?»

     

    «Muita coisa mais do que isso,

    Fala-me de muitas outras coisas.

    De memórias e de saudades

    E de coisas que nunca foram.»

     

    «Nunca ouviste passar o vento.

    O vento só fala do vento.

    O que lhe ouviste foi mentira,

    E a mentira está em ti.»

     

    Alberto Caeiro

     

    Tempo Presente

     
     
     
     
    Sinto o teu corpo, junto ao meu corpo
    Nos teus braços enlaçado.
    Olho meus olhos
    Nos teus vidrados
    E as palavras que morreram...
    ...Numa lágrima....em silêncio.
     
     
     
     
     
    Pedi um tempo, ao sentimento
    Fiz de nós acto acabado.
    Segui em frente,
    E num segundo
    Fiz do presente passado...
    ...Numa lágrima...em silêncio.
     
     
     
     
    Tenho no mundo dentro do peito
    A solidão, ar rarefeito.
    Vivo o presente
    E vou em frente
    Cabelo solto ao vento
    Ou numa lágrima em movimento.
     
     
     
     

    Luís Eusébio

    Dá-me a tua mão

     
     
     
     
     

    Dá-me a tua mão: 
    Vou agora te contar 
    como entrei no inexpressivo 
    que sempre foi a minha busca cega e secreta. 
    De como entrei 
    naquilo que existe entre o número um e o número dois, 
    de como vi a linha de mistério e fogo, 
    e que é linha sub-reptícia. 

    Entre duas notas de música existe uma nota, 
    entre dois fatos existe um fato, 
    entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam 
    existe um intervalo de espaço, 
    existe um sentir que é entre o sentir 
    - nos interstícios da matéria primordial 
    está a linha de mistério e fogo 
    que é a respiração do mundo, 
    e a respiração contínua do mundo 
    é aquilo que ouvimos 
    e chamamos de silêncio. 

     

    Clarice Lispector

     

    Relógio...

     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Acordo de noite subitamente.
    E o meu relógio ocupa a noite toda.
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Não sinto a Natureza lá fora,
    O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Lá fora há um sossego como se nada existisse.
    Só o relógio prossegue o seu ruído.
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    E esta pequena coisa de engrenagens que está em cima da minha mesa
    Abafa toda a existência da terra e do céu...
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Quase que me perco a pensar o que isto significa,
    Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Porque a única coisa que o meu relógio simboliza ou significa
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    É a curiosa sensação de encher a noite enorme
    Com a sua pequenez...
     
     
     
     
     
     
     
     
    Fernando Pessoa
     
     (Talvez por hoje me sentir "pequenina" perante a imensidão que é viver...Talvez por isso hoje tenha escolhido este poema de Pessoa) 
     

    Adao e Eva

     
     
     
     
     
    Olhámo-nos um dia,
    E cada um de nós sonhou que achara
    O par que a alma e a cara lhe pedia.

    - E cada um de nós sonhou que o achara...

     

     


    E entre nós dois
    Se deu, depois, o caso da maçã e da serpente,...
    Se deu, e se dará continuamente:
     
     
     


    Na palma da tua mão,
    Me ofertaste, e eu mordi, o fruto do pecado.

    - Meu nome é Adão...
     

    E em que furor sagrado
    Os nossos corpos nus e desejosos
    Como serpentes brancas se enroscaram,
    Tentando ser um só!´

     
     

    Ó beijos angustiados e raivosos
    Que as nossas pobres bocas se atiraram
    Sobre um leito de terra, cinza e pó!

    Ó abraços que os braços apertaram,
    Dedos que se misturaram!

    Ó ânsia que sofreste, ó ânsia que sofri,
    Sede que nada mata, ânsia sem fim!
    - Tu de entrar em mim,
    Eu de entrar em ti.

     
     

    Assim toda te deste,
    E assim todo me dei:

    Sobre o teu longo corpo agonizante,
    Meu inferno celeste,
    Cem vezes morri, prostrado...
    Cem vezes ressuscitei
    Para uma dor mais vibrante
    E um prazer mais torturado.
     
     

    E enquanto as nossas bocas se esmagavam,
    E as doces curvas do teu corpo se ajustavam
    Às linhas fortes do meu,
    Os nossos olhos muito perto, imensos,
    No desespero desse abraço mudo,
    Confessaram-se tudo!
    ... Enquanto nós pairávamos, suspensos
    Entre a terra e o céu.

    Assim as almas se entregaram,
    Como os corpos se tinham entregado,
    Assim duas metades se amoldaram
    Ante as barbas, que tremeram,
    Do velho Pai desprezado!
     

     
     

    E assim Eva e Adão se conheceram:

    Tu conheceste a força dos meus pulsos,
    A miséria do meu ser,
    Os recantos da minha humanidade,
    A grandeza do meu amor cruel,
    Os veios de oiro que o meu barro trouxe...

    Eu, os teus nervos convulsos,
    O teu poder,
    A tua fragilidade
    Os sinais da tua pele,
    O gosto do teu sangue doce...
     

    Depois...

    Depois o quê, amor?
    Depois, mais nada,
    - Que Jeová não sabe perdoar!

     

    O Arcanjo entre nós dois abrira a longa espada...

    Continuamos a ser dois,
    E nunca nos pudemos penetrar!

     

     

     

     

    José Régio

    1 ano

     

     

     

    Um ano do Meu eu

     

     

     

     

     

     

     

     

    Começei timidamente meio por brincadeira, meio por necessidade de algo mais...Talvez uma forma de desabafar e , simultâneamente ,alargar horizontes...

     

    Passou um ano, umas vezes com mais dedicação, outras vezes com menos entrega.

     

    O tempo voou e houve uma coisa que permaneceu sempre:

     O carinho que sempre recebi:

    São 10.856 visitas que encheram o meu coração de alegria ao longo de 365 dias.

     

    Aqui ri, aqui chorei...Aqui fui e sou eu , em tudo o que faço, em tudo o que escolho, em tudo o que digo , embora geralmente o faça através de palavras de terceiros, as palavras que publico tocam-me emenso.

     

    Obrigada pelo carinho, obrigada pela atenção, obrigada pelo apoio.

     

    Um beijo sincero, com muito carinho , a todos os que me visitam e visitaram ao longo de todo este tempo.

     

    Sónia

     

     

     

     

     

     

     

     

         
     

    Foram centenas as pessoas que me acarinharam aqui, que, cada um da sua forma me ajudaram a crescer e que me fizeram um pouco mais feliz pela sua presença.

    Impossivel referir todos, perdoem-me os que faltarem, mas estes eu tenho que referir:

     

    Tecas


    Winter


    Carmen


    Elsa


    Kori


    Sophia


    Vitor


    Márcia


    Céu


    Lito


    Luittchi


    Nino


    Vaskito


    Mara


    Silvia


    Ricardo


    Margarida


    Paulo Vasco


    Zé Minhoto


    Luís


    ...
    ...
    ...

     

    E muitos, muitos mais!

     

    A todos, o meu bem haja e oxalá a vida vos sorria sempre.

     

    Sónia