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    Porque milagres existem...

     

     

    A morte lembrou-se um dia

    dum botãozinho de Rosa

    para sua companhia:

    Pôs os olhos na mais airosa

    das pequeninas que via;

    fez-lhe um aceno, a chamá-la;

    veio achá-la dormindo;

    mas viu-lhe um sono tão lindo

    que se esqueceu, a embalá-la,

    de que viera buscá-la.

     

     

     

    José Régio

     

    Sobre o jantar...

     

     

     

    Olá Ninos e Ninas, as fotos do nosso jantar de ontem estão no meu outro lado. Não editei nada, umas estão melhores, outras piores, foi tudo directo. São 138 e não me chateiem se não conseguirem carregar a página, lol.

     

    Beijinhos

     

    (O link está em cima)

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Isto é só o cheirinho, para abrir o apetite...

     

     

     

     

     

     

    O vestido azul

     
     
    Soa-me um pouco a conto de fadas, mas já que estamos em Dezembro, porque não uma história de Esperança?
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma menina muito bonita. Acontece que essa menina frequentava as aulas da escolinha local num estado lamentável. As suas roupas eram tão velhas que o seu professor resolveu dar-lhe um vestido novo. Assim raciocinou o mestre: "É uma pena que uma aluna tão encantadora venha às aulas vestida assim…. Talvez, com algum sacrifício, eu pudesse comprar-lhe um vestido azul".

     

    Quando a menina recebeu a roupa nova, a sua mãe não achou razoável que, com aquele traje tão bonito, a filha continuasse a ir ao colégio suja como sempre, e começou a dar-lhe banho todos os dias, antes das aulas. Ao fim de uma semana, disse o pai: "Mulher, não achas uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arranjada, more num lugar como este? Que tal ajeitares a casa, enquanto eu, nas horas vagas, vou dando uma pintura nas paredes, arranjando a cerca, plantando um jardim?"

     

    E assim fez o humilde casal. A casa deles ficara a mais bonita que todas as outras da rua, e os vizinhos, inspirados, puseram-se a arranjar as suas próprias casas. Dessa forma, todo o bairro melhorou consideravelmente. Por ali, passava um político que, bem impressionado, disse: "É lamentável que gente tão esforçada não receba nenhuma ajuda para melhorar a vida". E, dali, saiu para ir falar com o presidente da câmara, que o autorizou a organizar uma comissão para estudar que melhoramentos eram necessários ao bairro. Dessa primeira comissão surgiram muitas outras e hoje, por todo o país, elas ajudam os bairros pobres a crescerem e a melhorarem.

     

    E pensar que tudo começou com um vestido azul. Não era intenção daquele simples professor modificar toda a rua, o bairro, nem criar um organismo que socorresse os bairros abandonados de todo o país. Mas ele fez o que podia, ele deu a sua parte, ele fez o primeiro movimento do qual se desencadeou toda aquela transformação.

     

    (Gardel Costa)

     

     

     

     

     

     

     

     

    "E difícil reconstruir um bairro, mas é possível dar um vestido azul".

     

     

     

     

     

    "Sonho que se sonha sozinho é somente um sonho, mas sonho que se sonha junto se torna realidade"

     

     

     

     

    Pele

     

     

                                               

                        

     

     

     

     

     

                           Pele

     

     

    Fechaste as portas do teu mundo

    Na esperança de ele se encontrar

    Vais contando o tempo quase ao segundo

    Parece não querer passar

                                                                                         

    Fazes de conta que está tudo bem

    E andas às voltas quando estás a sós

    Gritos mudos que só tu entendes

    No profundo silêncio que é a tua voz 

                

    Não precisas de te esconder

    Ninguém vai encontrar

    O que está escrito na tua pele

    Só tu para o decifrar   

                                                                             

    Qual o teu traço a pincel

    A história da tua vida

    Escrita, sentida, tatuada na pele

     

    Quem lá escreveu

    Com a tua permissão

    Nem sequer, nem sequer percebeu

    E perdeu a folha pele

    Por entre as mãos

     

     

     

     

     

    Polo Norte

     

     

    Eis-me

     

    Eis-me

     

     

    Eis-me

    Tendo-me despido de todos os meus mantos

    Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses

    Para ficar sozinha perante o silêncio

    Ante o silêncio e o esplendor da tua face

     

    Mas tu és de todos os ausentes o ausente

    Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca

    O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras

    E o teu encontro são planícies de silêncio

     

    Escura é a noite

    Escura e transparente

    Mas o teu rosto está para além do tempo opaco

    E eu não habito os jardins do teu silêncio

    Porque tu és de todos os ausentes o ausente.

     

    (Sophia De Mello B. Andresen)

     

     

    Si tu me amas

     
           
                                                                   
                                                        
                                                                                                                          
     
     
     
     
     
     
     

    Sólo en ti por siempre seré feliz

    Historia que presentí mucho antes

    De vivir en mí

    Porque sólo en ti encuentro lo que

    ayer perdí

    Tú eres en mi existir mi gran

    Felicidad

                                                  

     

     

    Si tú me amas yo seré esa esperanza

    Que jamás se querrá morir

    En este amor sin fin

    Tú serás siempre mi alma

     

     

                

    Despertar paraísos de pasión y paz

    Sé que sólo los podré encontrar

    En mis días junto a ti.    

                                                                      

     Si tú me amas yo seré esa esperanza

    Que jamás se querrá morir

    En este amor sin fin

    Tú serás siempre mi alma   

     

                   

    Si tú me amas yo seré una esperanza

    Que jamás se querrá morir

    En este amor sin fin

    Tú serás siempre mi alma

                                                                      

    Jamás querrá morir

    Abrázame hasta el fin

    Volaré si me amas

                                   

     

    Haces realidad la magia de soñar

    Volaré si tu me amas.

     

     

     

     

     

     

     

    sempre, Nada

     
     
     
     
     
     
     

    - Beija-me, enquanto é tempo.

     

    - Não digas isso. Sabes que é em nós que o tempo dorme.

     

    - Não amor, não sei. E duvido. Vá, beija-me, peço-te.

     

    - Não me peças os lábios que são teus; o beijo que é nosso. Não, não me tomes por dono de nós. Nunca.

     

    - Então, sem demoras, ama-me como me amas.

     

    - Porquê essa ânsia que não é paixão? Já te disse, o tempo não morre nas mãos de quem o morde.

    E enquanto o mar descansar em ti, navegarei rumos certos, navegação directa da polar fogosa; da bússola que são teus olhos. E enquanto o vento for teus braços, meu corpo será esse campo de verde trigo, doirado pulsar, alto mirar, que longe vês. E enquanto os teus pés forem terra, os teus dedos cal, e a tua alma tal, eu serei lustre e espuma e restos de sal. E enquanto forem as Áfricas pernas tuas, e Viana o rosto quente de verde-branca dor, voarei alto, e mergulharei, meu amor. E enquanto fores sabor, e mel, e esplendor, cinzel; e fogo em mim, morrerei por uma noite tua, por uma Lua nossa.

    E quando secarem os poços teus, seca-me, amor, de beijos molhados. Suga-me, paz, de olhos rasgados. E quando a chuva for chaga, e quando o vento for tento, recorda-me os lábios, e a pele, e veste-me. E quando o muro cair, e a chuva cessar; e o vento dormir, e cronos repousar. Dá-me a mão, e leva-me contigo, amor…

    E quando não fores mais que cinza, esse nada aos olhos dos homens, deixarei de ser homem, e serei algo, um algo que te sinta como tu. Nada…

    Não, não temas…temos todo o tempo do mundo para nós.

     

    - Vá, cala-te. E toma-me. E beija-me.

     

    (- Sim, quero-te. E calo-me. E beijo-te. E tenho-te. Sabe.)

      

    Traçado pelo rapaz    - Dias Curtos

    http://orapazquesentiademais.blogspot.com/ 

     

    Filha do Encanto

     

     

     

           

     

             Filha do Encanto 

     

     

                                                                      Tu!…
     
                Que Bebes dos meus Lábios Infinito Pecado…
                Esse Sangue Frio que me Queima…Percorre!
                Sublime! A Essência de um Desejo Sagrado…
                Magia ou Doce Veneno de quem Vive… Morre!
     
                                            Por ti!…
     
                Que Desenhas na Pele texturas de Vida!
                Dor de Incertezas! Paixões de Pura Maldição…
                Finos Fios de Amor Pintam uma Dor Sentida!
                Cabelos Longos! Pincéis do Corpo, Rendição…
     
                                                Teu!…
     
               Corpo de ausência! Domina quem não o Possui…
               Alma divina de desejo não consegue Viver…
               Não é Corpo mas sim Alma, Profecia que Dilui…
               Pinturas de Amor Eterno! Vazio de querer Morrer…
     
                                               E Tu!…
     
               Que de mim Sem Eu Saber Porquê! Te perdeste…
               Derrama no meu Peito a Beleza, O Traço da Paixão!
               Quadro Perfeito que nunca pintaste ou Ofereces-te…
               Chama-me Amor! Numa Palavra pintada de Ilusão!
     
     
     
                                            “Orfeu”
     
     
     
     
     
     

     

    Pequena elegia de setembro

     

     

     

    Não sei como vieste, 

    mas deve haver um caminho 

    para regressar da morte. 

     

     

    Estás sentada no jardim, 

    as mãos no regaço cheias de doçura, 

    os olhos pousados nas últimas rosas 

    dos grandes e calmos dias de setembro. 

     

     

    Que música escutas tão atentamente 

    que não dás por mim? 

    Que bosque, ou rio, ou mar? 

    Ou é dentro de ti 

    que tudo canta ainda? 

     

     

    Queria falar contigo, 

    dizer-te apenas que estou aqui, 

    mas tenho medo, 

    medo que toda a música cesse 

    e tu não possas mais olhar as rosas. 

    Medo de quebrar o fio 

    com que teces os dias sem memória. 

     

     

    Com que palavras 

    ou beijos ou lágrimas 

    se acordam os mortos sem os ferir, 

    sem os trazer a esta espuma negra 

    onde corpos e corpos se repetem, 

    parcimoniosamente, no meio de sombras? 

     

     

    Deixa-te estar assim, 

    ó cheia de doçura, 

    sentada, olhando as rosas, 

    e tão alheia 

    que nem dás por mim. 

     

     

     

    Eugénio de Andrade

     

    Guardador de Rebanhos

     

     

    Guardador de rebanhos

     

    «Olá, guardador de rebanhos,

    Aí à beira da estrada,

    Que te diz o vento que passa?»

     

    «Que é vento, e que passa,

    E que já passou antes,

    E que passará depois.

    E a ti o que te diz?»

     

    «Muita coisa mais do que isso,

    Fala-me de muitas outras coisas.

    De memórias e de saudades

    E de coisas que nunca foram.»

     

    «Nunca ouviste passar o vento.

    O vento só fala do vento.

    O que lhe ouviste foi mentira,

    E a mentira está em ti.»

     

    Alberto Caeiro

     

    Tempo Presente

     
     
     
     
    Sinto o teu corpo, junto ao meu corpo
    Nos teus braços enlaçado.
    Olho meus olhos
    Nos teus vidrados
    E as palavras que morreram...
    ...Numa lágrima....em silêncio.
     
     
     
     
     
    Pedi um tempo, ao sentimento
    Fiz de nós acto acabado.
    Segui em frente,
    E num segundo
    Fiz do presente passado...
    ...Numa lágrima...em silêncio.
     
     
     
     
    Tenho no mundo dentro do peito
    A solidão, ar rarefeito.
    Vivo o presente
    E vou em frente
    Cabelo solto ao vento
    Ou numa lágrima em movimento.
     
     
     
     

    Luís Eusébio

    Dá-me a tua mão

     
     
     
     
     

    Dá-me a tua mão: 
    Vou agora te contar 
    como entrei no inexpressivo 
    que sempre foi a minha busca cega e secreta. 
    De como entrei 
    naquilo que existe entre o número um e o número dois, 
    de como vi a linha de mistério e fogo, 
    e que é linha sub-reptícia. 

    Entre duas notas de música existe uma nota, 
    entre dois fatos existe um fato, 
    entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam 
    existe um intervalo de espaço, 
    existe um sentir que é entre o sentir 
    - nos interstícios da matéria primordial 
    está a linha de mistério e fogo 
    que é a respiração do mundo, 
    e a respiração contínua do mundo 
    é aquilo que ouvimos 
    e chamamos de silêncio. 

     

    Clarice Lispector

     

    Relógio...

     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Acordo de noite subitamente.
    E o meu relógio ocupa a noite toda.
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Não sinto a Natureza lá fora,
    O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Lá fora há um sossego como se nada existisse.
    Só o relógio prossegue o seu ruído.
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    E esta pequena coisa de engrenagens que está em cima da minha mesa
    Abafa toda a existência da terra e do céu...
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Quase que me perco a pensar o que isto significa,
    Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Porque a única coisa que o meu relógio simboliza ou significa
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    É a curiosa sensação de encher a noite enorme
    Com a sua pequenez...
     
     
     
     
     
     
     
     
    Fernando Pessoa
     
     (Talvez por hoje me sentir "pequenina" perante a imensidão que é viver...Talvez por isso hoje tenha escolhido este poema de Pessoa) 
     

    Adao e Eva

     
     
     
     
     
    Olhámo-nos um dia,
    E cada um de nós sonhou que achara
    O par que a alma e a cara lhe pedia.

    - E cada um de nós sonhou que o achara...

     

     


    E entre nós dois
    Se deu, depois, o caso da maçã e da serpente,...
    Se deu, e se dará continuamente:
     
     
     


    Na palma da tua mão,
    Me ofertaste, e eu mordi, o fruto do pecado.

    - Meu nome é Adão...
     

    E em que furor sagrado
    Os nossos corpos nus e desejosos
    Como serpentes brancas se enroscaram,
    Tentando ser um só!´

     
     

    Ó beijos angustiados e raivosos
    Que as nossas pobres bocas se atiraram
    Sobre um leito de terra, cinza e pó!

    Ó abraços que os braços apertaram,
    Dedos que se misturaram!

    Ó ânsia que sofreste, ó ânsia que sofri,
    Sede que nada mata, ânsia sem fim!
    - Tu de entrar em mim,
    Eu de entrar em ti.

     
     

    Assim toda te deste,
    E assim todo me dei:

    Sobre o teu longo corpo agonizante,
    Meu inferno celeste,
    Cem vezes morri, prostrado...
    Cem vezes ressuscitei
    Para uma dor mais vibrante
    E um prazer mais torturado.
     
     

    E enquanto as nossas bocas se esmagavam,
    E as doces curvas do teu corpo se ajustavam
    Às linhas fortes do meu,
    Os nossos olhos muito perto, imensos,
    No desespero desse abraço mudo,
    Confessaram-se tudo!
    ... Enquanto nós pairávamos, suspensos
    Entre a terra e o céu.

    Assim as almas se entregaram,
    Como os corpos se tinham entregado,
    Assim duas metades se amoldaram
    Ante as barbas, que tremeram,
    Do velho Pai desprezado!
     

     
     

    E assim Eva e Adão se conheceram:

    Tu conheceste a força dos meus pulsos,
    A miséria do meu ser,
    Os recantos da minha humanidade,
    A grandeza do meu amor cruel,
    Os veios de oiro que o meu barro trouxe...

    Eu, os teus nervos convulsos,
    O teu poder,
    A tua fragilidade
    Os sinais da tua pele,
    O gosto do teu sangue doce...
     

    Depois...

    Depois o quê, amor?
    Depois, mais nada,
    - Que Jeová não sabe perdoar!

     

    O Arcanjo entre nós dois abrira a longa espada...

    Continuamos a ser dois,
    E nunca nos pudemos penetrar!

     

     

     

     

    José Régio

    1 ano

     

     

     

    Um ano do Meu eu

     

     

     

     

     

     

     

     

    Começei timidamente meio por brincadeira, meio por necessidade de algo mais...Talvez uma forma de desabafar e , simultâneamente ,alargar horizontes...

     

    Passou um ano, umas vezes com mais dedicação, outras vezes com menos entrega.

     

    O tempo voou e houve uma coisa que permaneceu sempre:

     O carinho que sempre recebi:

    São 10.856 visitas que encheram o meu coração de alegria ao longo de 365 dias.

     

    Aqui ri, aqui chorei...Aqui fui e sou eu , em tudo o que faço, em tudo o que escolho, em tudo o que digo , embora geralmente o faça através de palavras de terceiros, as palavras que publico tocam-me emenso.

     

    Obrigada pelo carinho, obrigada pela atenção, obrigada pelo apoio.

     

    Um beijo sincero, com muito carinho , a todos os que me visitam e visitaram ao longo de todo este tempo.

     

    Sónia

     

     

     

     

     

     

     

     

         
     

    Foram centenas as pessoas que me acarinharam aqui, que, cada um da sua forma me ajudaram a crescer e que me fizeram um pouco mais feliz pela sua presença.

    Impossivel referir todos, perdoem-me os que faltarem, mas estes eu tenho que referir:

     

    Tecas


    Winter


    Carmen


    Elsa


    Kori


    Sophia


    Vitor


    Márcia


    Céu


    Lito


    Luittchi


    Nino


    Vaskito


    Mara


    Silvia


    Ricardo


    Margarida


    Paulo Vasco


    Zé Minhoto


    Luís


    ...
    ...
    ...

     

    E muitos, muitos mais!

     

    A todos, o meu bem haja e oxalá a vida vos sorria sempre.

     

    Sónia

     

     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Poema de dois versos

     

     

     

     

     

    Deus brincou com nós dois

     porque sabia
    que era questão de tempo

    estarmos juntos,

     


    seres iguais,

    no amor se completando,
    como os versos completam uma poesia.

     

     

    Alberto Cohen

     

     

    A flor

     

     

     

     

     

     

     

     

    A flor não nasce para ser bonita, nasce para ser flor.

     

    A sua beleza requer que quem a olhe tenha a capacidade a descobrir. 

     

    Alguns podem passar a seu lado centenas de vezes e em nenhuma delas darão conta de que ela existe...

     

    Outros até a vêm mas não lhe encontram nada de singular que a diferencie da paisagem em que se encontra e pensarão:

    É apenas mais uma flor.

     

     

     

     

    Talvez ainda apareçam alguns que lhe dedicarão dois olhares atentos, atraídos pelas suas cores, mas continuarão os seus caminhos sem perca de tempo.

     

    Mas em algum momento aparecerá alguém que não a vai considerar apenas mais uma...

     

    Alguém que terá o tempo necessário para a admirar e deleitar-se ao observar cada milímetro, descobrindo assim novas sensações ao acariciar docemente as suas pétalas.

     

     

     

    E não terá pressa em seguir o seu caminho, irá preferir ficar um pouco mais pois aquela é uma flor realmente bela, impossível de ficar indiferente e de não tentar conservá-la com todo o seu esplendor de vida e cor.

     

    Assim, com um cuidado nascido de um profundo afecto, escavará ao largo da sua raiz e colocará nessa tarefa todo o seu cuidado e atenção, transplantá-la-á para o seu próprio jardim onde frequentemente a poderá apreciar, cuidar e a cada dia um pouco mais se deixar cativar por ela... para a amar.

     

    E não lhe pedirá que muda a sua cor, seu jeito, seu aroma.

     

    Ela nasceu flor, ela nasceu assim.

     

     

     

     

    Na vida de cada um de nós, geralmente, a história também é assim. Por vezes passam anos, são centenas os olhos que se cruzam nos nossos olhares sem que tenham a capacidade de descobrir todos os nossos valores, os nossos sentimentos e até, talvez, a nossa própria existência.

     

    Até que um dia alguém vai ter essa capacidade e não vai seguir sozinho…Nesse dia, passaremos a ser parte do seu mundo, e toda a nossa existência passará a fazer sentido…

     

     

     

    Alegra-te por teres nascido como és e aguarda a chegada desse dia.

     

     

     

    Mais uma musica que me conquistou...

     

     

      

    Quiero Perdérme En Tu Cuerpo

     

     

     

     

    Quiero perderme en tu cuerpo

    Como agua clara de un bosque de sol

    Mirar en tus ojos inciertos

    Donde sembrara mil sueños de amor

    Quiero beber en tus labios esa caricia de luna y de miel

    Y descubrir el encanto

    De la pasion que se esconde en tu piel

     

     

     

     

    Quiero pintar con tus besos

    Un cielo de estrellas sembrado de luz

    Buscar abrigo en tu cuerpo

    En la noche eterna de tu juventud

    Quiero saciar mi locura

    En la tibia playa de tu desnudez

    Para llenar de ternura

    La inocencia pura de hacerte mujer

     

     

     

     

    Quiero escapar por tu vientre para nuevamente llenarme de paz

    Que es tan inmenso tenerte

    Clavada en mi pecho como una verdad

    Quiero entregarte mis años

    Mis ansias de amarte, mi fuerza mi fe

    Para llegar de tu mano

    Al rincón sagrado q siempre soñe

     

     

     

     

    Quiero pintar con tus besos

    Un cielo de estrellas sembrado de luz

    Buscar abrigo en tu cuerpo

    En la noche eterna de tu juventud

    Quiero saciar mi locura

    En la tibia playa de tu desnudez

    Para llenar de ternura

    La inocencia pura de hacerte mujer

     

     

     

     

    ...

     

    Musica: David Bisbal 

     

     

    Soneto...

     
     
     
     

    Soneto da perdição

     

     

     

     


    Deu-me um deus de legado o tempo escasso
    e o anseio de retê-lo em urdiduras.
    Murcham flores nos campos por que passo
    exilado em angústias já maduras.

     

     

     

     

     

     

    O que sou não sei bem, nem o que faço.
    Débil luz entrevejo nas clausuras
    das fatais emoções em que desfaço
    a antiga vocação das coisas puras.

     

     

     

     

     

     

    Viajante que perdeu os seus roteiros
    por querê-los é que ando em desatino
    sob o cerco de demónios traiçoeiros.

     

     

     

     

     

     

    Nau fendida que busca o porto vasto,
    quanto mais de meus rumos me aproximo
    mais sinto que de mim próprio me afasto.

     

     

     

    João Carlos Teixeira Gomes

     

     

    Saudades

     
     
     
     
     
     
     
      

    Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida

     

     

     


    Quando vejo fotos, quando sinto cheiros,
    quando oiço uma voz, quando me lembro do passado,
    eu sinto saudades...

     

     

     


    Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
    de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

     

     

     


    sinto saudades da minha infância, da minha escola,

     

     

     

     

     

    do meu primeiro amor, do meu segundo,
    do terceiro, do penúltimo
    e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

     

     

     


    Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
    lembrando do passado e apostando no futuro...

     

     

     

     

     


    Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
    provavelmente não será da forma que eu penso que vai ser...

     

     

     


    Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
    de quem disse que viria e nem apareceu;
    de quem apenas passou, sem me conhecer de verdade,
    de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

     

     

     

     

     


    Sinto saudades dos que se foram
    e de quem não tive tempo de me despedir;
    daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
    de gente que passou na estrada contrária da minha vida
    e que só vi de relance;

     

     

     

     


    de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
    de coisas que nem sei que existiram.


    Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
    de casos, de experiências...

     

     

     

     

     


    Sinto saudades do cachorrinho que tive um dia e que me amou fielmente, como só os cães são capazes de fazer,
    dos livros que li e que me fizeram viajar,dos discos
    que ouvi e que me fizeram sonhar,
    das coisas que vivi e das que deixei passar,
    sem as sentir na totalidade…

     

     

     

     


    Quantas vezes tenho vontade de encontrar
    não sei o que, não sei onde, para resgatar alguma coisa
    que nem sei o que é e nem onde perdi...

     

     

     

     


    Vejo o mundo girar e penso que poderia estar
    a sentir saudades em japonês, em russo, em italiano,
    em inglês, mas que, a minha saudade, por eu ter nascido
    Portuguesa, só fala português, embora, lá no fundo,
    possa ser poliglota.

     

     

     

     

     


    Aliás, dizem que todos nós usamos sempre a língua mãe, espontaneamente,
    quando estamos desesperados, para contar dinheiro,
    fazer amor e declarar sentimentos fortes, seja lá
    em que lugar do mundo estejamos a fazê-lo.

     

     

     


    Eu acredito que um
    simples "I miss you", ou seja lá como possamos
    traduzir saudade em outra língua, nunca terá a
    mesma força e significado da nossa palavrinha saudade.
    Talvez não exprima correctamente a imensa falta
    que sentimos das coisas ou das pessoas queridas.

     

     

     

     

     


    E é por isso que eu tenho mais saudades...
    Porque encontrei uma palavra
    para usar todas as vezes em que sinto este
    aperto no peito, meio nostálgico,
    meio adocicado, mas que funciona melhor do que
    um sinal vital quando se quer falar de vida
    e de sentimentos.

     

     

     

     


    Ela é a prova inequívoca de
    que somos sensíveis, de que amamos muito o
    que tivemos e lamentamos as coisas boas
    que perdemos ao longo da nossa existência...

     

     

     

     

     


    Sentir saudade,
    é sinal de que se está vivo!

     

    (Obrigada Mizia)