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    A arte de calar

     

     

     

     

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    Muitas vezes basta um olhar, um olhar suspenso, teus olhos sobre os olhos do outro…

     

    Queres adivinhar o significado dos brilhos, ler o futuro imediato mais além da pupila,

    Queres dizer muitas coisas mas sabes que deves aguentar a ansiedade.

     

    Isso, aperta os lábios.

     

     

     

     

     

    Permite que as ideias circulem sem que saíam ao exterior.

     

    Alarga o espaço entre as perguntas e as respostas, deixa que os músculos do rosto relaxem, espera um sinal de alerta.

     

    Mantém a respiração

    Pensa que o outro também pensa

    Analisa.

    Espera.

     

     

     

     

     

    A economia das palavras não é virtude exclusiva dos monges da clausura.

    É um jogo que pratica quem sabe fazer-se de louco, daqueles que entendem que nem todas as perguntas precisam de resposta,

    que a solução nem sempre chega ao abrir da boca

     

     Para quê dizer tudo?  

     

     Porque não conservar no interior de ti próprio uma dose razoável do que pensas?

     

    Porque não converter em segredo algumas ideias que fazem em ti uma aparição imprevista,

     mantendo ao menos a ilusão de que o tempo se encarregará de as amadurecer e as transforme em firmes convicções?

     

    Porque não entender que a palavra jamais deverá ser mais rápida do que o pensamento e que nem tudo o que nos cruza o cérebro se poderá converter em palavras?

     

     

     

     

     

    Entender que também se pode falar com gestos.

     

    Que o silencio por vezes grita.

     

     

     

    Aprendemos a guardar silêncio nos hospitais, nos funerais, nos actos solenes. Guardamos esse silêncio por pudor, por respeito, por dor…Guardamos silêncio pela dor que é incapaz de se converter em pranto e silêncio quando o pranto se esgota e exaustão é tudo o que fica…

     

     

    Haveríamos de aprender a calar por nenhum outro motivo que não fosse apenas e só a nossa vontade.

     

    Calar para escutar.

    Calar para olhar.

    Calar para aprender.

    Calar para calar

     

     

     

     

    Calar para converter o silêncio em cúmplice, para saber que o eco existe.

     

     

    Calar para compreender que o silêncio é o que faz os sonhos mais bonitos...

     

     

     

     

     

    ...Mais cinco minutos...

     
     
     
     
     
     
     
     

    Uma tarde uma mulher sentou-se ao lado de um homem num banco perto do parque infantil.

     

    - Aquele ali, de camisola vermelha é o meu filho. Disse ela apontando para um menino que deslizava no escorregão

     

    - Um menino bonito. Respondeu o homem e completou – Aquela menina linda ali, que anda de bicicleta é a minha filha.

     

    Então, olhou o relógio e chamou a sua filha.

     

    - Mariana, o que achas de irmos?

     

    E a pequena Mariana suplicou:

     

    - Mais cinco minutos, pai. Por favor. Só mais cinco minutos.

     

     

    O homem concordou e a menina continuou a pedalar, feliz, cheia de alegria no coração.

     

     

     

     

     

     

     

    Os minutos passaram-se, o pai levantou-se e novamente chamou a filha.

     

    - Hora de ir agora?

     

    Mas a Mariana pediu outra vez – Mais cinco minutos, pai. Só mais cinco minutos.

     

    O homem sorriu e disse,

     

    - Está certo!

     

     

     

     

     

    - O senhor é certamente um pai muito paciente – Comentou a mulher ao lado, admirada.

     

    O homem sorriu e disse,

     

    - O irmão mais velho de Mariana, o João, foi morto por um condutor bêbado no ano passado quando andava de bicicleta perto daqui. Nunca passamos muito tempo juntos e agora daria qualquer coisa por poder passar apenas mais cinco minutos com ele.

    Eu me prometi não cometer o mesmo erro com a minha filha…

     

     

     

    - Ela acha que tem mais cinco minutos para andar de bicicleta, mas na verdade, eu é que tenho mais cinco minutos para vê-la brincar.

     

     

     

     

     

     

     

    Em tudo na vida estabelecemos prioridades.

     

    Quais são as tuas ?

     

     

    Será mesmo que não valerá a pena dares 5 minutos do teu tempo hoje a quem amas?

     

    E se amanhã for tarde demais?

     

     

    Viver quando?

     

     

     

     

    O presente inexistente

     

     

     

                  Nunca nos detemos no momento presente.

     

    Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso;

     

     ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter:

     

     tão imprudentes, que andamos errando nos tempos que não são nossos,

     

    e não pensamos no único que nos pertence;

     

     e tão vãos,

     

    que pensamos naqueles que não são nada,

     

    e deixamos escapar sem reflexão o único que subsiste.

     

    É que o presente, em geral, fere-nos.

     

    Escondemo-lo à nossa vista porque nos aflige;

     

    e se nos é agradável, lamentamos vê-lo fugir.

     

    Tentamos segurá-lo pelo futuro,

     

    e pensamos em dispor as coisas que não estão na nossa mão,

      para um tempo a que não temos garantia alguma de chegar.

     

    Examine cada um dos seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro.

     

    Quase não pensamos no presente; e, se pensamos,

     

     é apenas para à luz dele dispormos o futuro.

     

    Nunca o presente é o nosso fim:

     

     o passado e o presente são meios, o fim é o futuro.

     

     Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, 

     

     Preparando-nos sempre para ser felizes,

     

    é inevitável que nunca o sejamos.

     

     

    Blaise Pascal, in 'Pensamentos'

     

     

    A flor azul

     

     

    A flor azul

     

     

     

     

     

    Eu andava cheia de pressa, quase corria, quando de repente um estranho chocou contra mim:

    - Oh, desculpe por favor, foi a minha reacção.

    E ele respondeu-me também um pouco aflito:

    - Ah, desculpe-me também, eu simplesmente nem a vi!

    Fomos muito educados um com o outro, aquele estranho e eu. Então, despedimo-nos com um boa tarde e cada um foi para o seu lado.

     

    Mais tarde daquele dia, eu estava a fazer o jantar e meu filho parou ao meu lado tão em silêncio que eu nem me apercebi. Quando me virei, assustei-me e sem pensar ralhei-lhe:

    - Sai daqui! Assustaste-me! E eu disse aquilo com certa dureza.

    E ele foi embora, certamente com seu pequeno coração partido. Eu nem imaginava como o havia magoado.

    O resto da noite passou-se sem que eu me recordasse daquele incidente e quando me fui deitar, ouvi uma voz calma e doce (de Deus?) que me disse:

     

    - Quando falaste com um estranho, quanta cortesia e cuidado usaste! Mas com o teu filho, a pessoa que tu mais amas, nem sequer te preocupaste com isso! Olha para o chão da tua cozinha, verás algumas flores caídas no canto, perto da porta. São flores que ele trouxe para ti. Ele mesmo as apanhou, a cor-de-rosa, a amarela e a azul. Depois, veio todo contente e ficou quietinho para não estragar a surpresa…Tu nem viste as lágrimas nos olhos dele.

     

     

     

    Nesse momento, eu senti-me muito pequena. E agora era o meu coração quem derramava as lágrimas. Então fui até a cama dele e sentei-me num cantinho, bem perto dele, e enquanto o acarinhava com as minhas mãos, falava-lhe baixinho:

     

     

     

     

     

    - Acorda meu amor, acorda. Estas são as flores que apanhaste para mim?

     

    Ele sorriu:

     

    - Eu descobria-as em baixo daquela árvore no fundo do jardim. Apanhei-as porque as achei tão bonitas como tu! Eu sabia que ias gostar, especialmente da azul.

     

    Eu disse:

     

    - Filho, desculpa-me. Eu não devia ter gritado contigo daquela maneira.

     

    - Ah mãe, não faz mal, eu sei que te assustei e eu amo-te mesmo assim!

     

    Respondi sorrindo:

     

    - Eu também te amo meu tesouro. Muito! E adorei as flores, especialmente a azul.

     

     

     

     

    Reflexão:

     

    Já parou para pensar que, se morrermos amanhã, a empresa para qual trabalhamos poderá facilmente substituir – nos numa questão de dias, ou até de horas, mas as pessoas que nos amam, a família que deixamos para trás, os nossos filhos, sentirão essa perda para o resto das suas vidas?

     

    E nós raramente paramos para pensar nisso. Às vezes colocamos o nosso esforço, empenho e toda a nossa dedicação em coisas muito menos importantes que a nossa família, que as pessoas que nos amam, e nem damos conta do que realmente estamos a perder.

     

    Perdemos o tempo de sermos carinhosos, de dizer um "eu te amo", de dizer um "obrigado", de dar um sorriso, ou de dizer o quanto cada pessoa é especial e importante para nós...

     

     Ao invés disso, muitas vezes agimos impensadamente, somos rudes e nem nos apercebemos o quanto isso magoa os que nos rodeiam e que são, no fundo, aqueles que dão todo o sentido á nossa existência.

     

    Não estaremos ainda a tempo de conseguir encontrar a estabilidade entre todos os parâmetros das nossas vidas?

     

     

     

         

     

     

    "Fazemos os nossos caminhos e lhes chamamos destino."

     

     

    (Baseado num texto de Benjamin Disraeli)

     

    O Bombeiro

     
     

    Eu posso fazer mais que isso!

     

     

     

     

    A mãe parou ao lado da pequena cama do seu filho de 6 anos, que estava muito doente. Embora o coração dela estive pesado de tristeza e angústia, ela era muito determinada. Como qualquer outra mãe, ela gostaria que ele crescesse e realizasse todos os seus sonhos. Mas agora, isso já não seria possível, por causa de uma leucemia terminal. Sentou-se perto dele, segurou-lhe a mão e perguntou:

     

    - Filho, tu alguma vez pensaste o que queres ser quando cresceres?

    - Mãe eu quero ser bombeiro!

     

     

     

    A mãe sorriu e disse:

     - Vamos ver o que podemos fazer para isso acontecer.

     

    Mais tarde, naquele mesmo dia, ela foi ao Corpo de Bombeiros local e contou ao Chefe dos bombeiros a situação de seu filho perguntando se seria possível o menino dar uma volta no carro dos bombeiros, nem que fosse só uma volta ao quarteirão. O Chefe dos bombeiros, comovido, disse:

     

                            - NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO!

     

     Se estiver com o seu filho pronto às sete horas da manhã, daqui a uma semana, nós faremos dele bombeiro honorário, por um dia inteiro. Ele poderá ir para o quartel, comer connosco e sair para atender às chamadas de incêndio. E se nos der as medidas dele, conseguiremos um uniforme completo: chapéu com o emblema do nosso batalhão, casaco igual ao que vestimos e botas também.

     

     

     

    Uma semana depois, o chefe segurou o menino pela mão, vestiu-o com o uniforme de bombeiro e escoltou-o do hospital até o camião de bombeiros. O menino ficou sentado na parte de trás do camião e foi até o quartel central. Parecia-lhe estar no céu...

     

     

     

    Ocorreram três chamados naquele dia na cidade e ele conseguiu acompanhá-las todas. Em cada chamada, ele foi em carros diferentes: No autotanque, na ambulância e até no carro especial do chefe dos bombeiros. Todo o amor e atenção que lhe foram dispensados acabaram por o motivar tão fortemente que ele conseguiu viver três meses a mais que o previsto.

     

     Uma noite, todas as suas funções vitais começaram a cair dramaticamente e a mãe decidiu chamar ao hospital, toda a família.

     

     

     

    Então, ela lembrou-se da emoção que o menino tinha sentido como bombeiro e pediu à enfermeira que ligasse para chefe da corporação, perguntando se seria possível enviar um bombeiro para o hospital, naquele momento trágico, para ficar com o menino.

     

    O chefe dos bombeiros respondeu:

     

    - NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO!

     

    - Estaremos aí em cinco minutos. Mas faça-me um favor. Quando ouvir as sirenes e vir as luzes dos nossos carros, avise no altifalante que não se trata de um incêndio. É apenas o corpo de bombeiros que vem visitar mais uma vez, um de seus mais distintos membros. E também poderia abrir a janela do quarto dele? Obrigado!

     

     

     

     

    Cinco minutos depois, um carro e um autotanque com escada chegaram no hospital. Estenderam a escada até o andar onde o menino estava, e 16 bombeiros subiram por ela. Com a permissão da mãe, abraçaram-no, brincaram com ele, e disseram que o amavam.

     

     Com a voz fraquinha, o menino olhou para o chefe e perguntou:

     

    - Chefe, eu sou mesmo um bombeiro?

    - Sim, tu és um dos melhores – respondeu

     

     

    Com estas palavras, o menino sorriu e fechou os olhos para sempre.

     

     Morreu feliz! 

     

     

    E tu? Diante do pedido de teus pais, irmãos, filhos, parentes e amigos, o que fazes?

     

    Tenta dizer sempre:

    - EU POSSO FAZER MAIS QUE ISSO!

     

    'A maior perda da vida é o que morre de bom dentro de nós enquanto vivemos”

    Uma história maravilhosa

     
     
     

    Temos o Natal à porta…Vamos reflectir um pouquinho nesta história? Eu sei que é longa, mas garanto que vale a pena para quem tiver um pouco de sensibilidade no coração.

     

    Quero aproveitar para deixar aqui um beijo muito especial para a pessoa que me enviou esta história.

    (Tu sabes o quanto és especial e o quanto tudo isto vale para mim.Adoro-te).

     

     

    A árvore de Natal na casa de Cristo

     

     

     

    "Havia num porão uma criança, um garotinho de seis anos de idade, ou menos ainda. Esse garotinho despertou certa manhã no porão húmido e frio. Tiritava, envolto nos seus pobres andrajos. Seu hálito formava, ao se exalar, uma espécie de vapor branco, e ele, sentado num canto em cima de um baú, por matar o tempo, ocupava-se em soprar esse vapor da boca, pelo prazer de vê-lo se esvoaçar. Mas bem que gostaria de comer alguma coisa.

     

    Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde num colchão de palha, chato como um pastelão, com um saco sob a cabeça à guisa de almofada, jazia a mãe enferma. Como se encontrava ela nesse lugar? Provavelmente tinha vindo de outra cidade e subitamente caíra doente. A patroa que alugava o porão tinha sido presa na antevéspera pela polícia; os locatários tinham se dispersado para se aproveitarem também da festa, e o único tapeceiro que tinha ficado cozinhava a bebedeira há dois dias: esse nem mesmo tinha esperado pela festa. No outro canto do quarto gemia uma velha octogenária, reumática, que outrora tinha sido “ama-sêca” e que morria agora sozinha, soltando suspiros, queixas e imprecações contra o garoto, de maneira que ele tinha medo de se aproximar da velha. No corredor ele tinha encontrado alguma coisa para beber, mas nem a menor migalha para comer, e mais de dez vezes tinha ido para junto da mãe para despertá-la.

     

    Por fim, a obscuridade lhe causou uma espécie de angústia: há muito tempo tinha caído a noite e ninguém acendia o fogo. Tendo apalpado o rosto de sua mãe, admirou-se muito: ela não se mexia mais e estava tão fria como as paredes. "Faz muito frio aqui", reflectia ele, com a mão pousada inconscientemente no ombro da morta; depois, ao cabo de um instante, soprou os dedos para esquentá-los, pegou o seu gorrinho abandonado no leito e, sem fazer ruído, saiu do cômodo, tacteando. Por sua vontade, teria saído mais cedo, se não tivesse medo de encontrar, no alto da escada, um canzarrão que latira o dia todo, nas soleiras das casas vizinhas. Mas o cão não se encontrava ali, e o menino já ganhava a rua.

     

    Senhor! Que grande cidade! Nunca tinha visto nada parecido, De lá, de onde vinha, era tão negra a noite! Uma única lanterna para iluminar toda a rua. As casinhas de madeira são baixas e fechadas por trás dos postigos; desde o cair da noite, não se encontra mais ninguém fora, toda gente permanece bem enfunada em casa, e só os cães, às centenas e aos milhares, uivam, latem, durante a noite. Mas, em compensação, lá era tão quente; davam-lhe de comer... ao passo que ali...

     

    Meu Deus! Se ele ao menos tivesse alguma coisa para comer! E que desordem, que grande algazarra ali, que claridade, quanta gente, cavalos, carruagens... e o frio, ah! Este frio! O nevoeiro gela em filamentos nas ventas dos cavalos que galopam; através da neve friável o ferro dos cascos tine contra a calçada; toda gente se apressa e se acotovela, e, meu Deus! Como gostaria de comer qualquer coisa, e como de repente seus dedinhos lhe doem! Um agente de polícia passa ao lado da criança e se volta, para fingir que não vê.

     

    Eis uma rua ainda: como é larga! Esmagá-lo-ão ali, seguramente; como todo mundo grita, vai, vem e corre, e como está claro, como é claro! Que é aquilo ali? Ah! Uma grande vidraça, e atrás dessa vidraça um quarto, com uma árvore que sobe até o teto; é um pinheiro, uma árvore de Natal onde há muitas luzes, muitos objectos pequenos, frutas douradas, e em torno bonecas e cavalinhos. No quarto há crianças que correm; estão bem vestidas e muito limpas, riem e brincam, comem e bebem alguma coisa. Eis ali uma menina que se pôs a dançar com um rapazinho. Que bonita menina! Ouve-se música através da vidraça. A criança olha, surpresa; logo sorri, enquanto os dedos dos seus pobres pezinhos doem e os das mãos se tornaram tão roxos, que não podem se dobrar nem mesmo se mover.

     

    De repente o menino se lembrou de que seus dedos doem muito; põe-se a chorar, corre para mais longe, e eis que, através de uma vidraça, avista ainda um quarto, e neste outra árvore, mas sobre as mesas há bolos de todas as qualidades, bolos de amêndoa, vermelhos, amarelos, e eis sentadas quatro formosas damas que distribuem bolos a todos os que se apresentem. A cada instante, a porta se abre para um senhor que entra.

     

    Na ponta dos pés, o menino se aproximou, abriu a porta e bruscamente entrou. Hu! Hu! Com que gritos e gestos o repeliram! Uma senhora se aproximou logo, meteu-lhe furtivamente uma moeda na mão, abrindo-lhe ela mesma a porta da rua. Como ele teve medo! Mas a moeda rolou pelos degraus com um tilintar sonoro: ele não tinha podido fechar os dedinhos para segurá-la. O menino apertou o passo para ir mais longe – nem ele mesmo sabe aonde. Tem vontade de chorar; mas dessa vez tem medo e corre. Corre soprando os dedos. Uma angústia o domina, por se sentir tão só e abandonado, quando, de repente:

     

    Senhor! Que poderá ser ainda? Uma multidão que se detém, que olha com curiosidade. Em uma janela, através da vidraça, há três grandes bonecos vestidos com roupas vermelhas e verdes e que parecem vivos! Um velho sentado parece tocar violino, dois outros estão em pé junto de e tocam violinos menores, e todos maneiam em cadência as delicadas cabeças, olham uns para os outros, enquanto seus lábios se mexem; falam, devem falar - de verdade - e, se não se ouve nada, é por causa da vidraça. O menino julgou, a princípio, que eram pessoas vivas, e, quando finalmente compreendeu que eram bonecos, pôs-se de súbito a rir. Nunca tinha visto bonecos assim, nem mesmo suspeitava que existissem! Certamente, desejaria chorar, mas era tão cómico, tão engraçado ver esses bonecos!

     

    De repente pareceu-lhe que alguém o puxava por trás. Um moleque grande, malvado, que estava ao lado dele, deu-lhe de repente um tapa na cabeça, derrubou o seu gorrinho e passou-lhe uma rasteira. O menino rolou pelo chão, algumas pessoas se puseram a gritar: aterrorizado, ele se levantou para fugir depressa e correu com quantas pernas tinha, sem saber para onde. Atravessou o portão de uma cocheira, penetrou num pátio e sentou-se atrás de um monte de lenha.

     

    "Aqui, pelo menos", reflectiu ele, "não me acharão: está muito escuro."

     

    Sentou-se e encolheu-se, sem poder retomar fôlego, de tanto medo, e bruscamente, pois foi muito rápido, sentiu um grande bem-estar, as mãos e os pés tinham deixado de doer, e sentia calor, muito calor, como ao pé de uma estufa. Subitamente se mexeu: um pouco mais e ia dormir! Como seria bom dormir nesse lugar! "mais um instante e irei ver outra vez os bonecos", pensou o menino, que sorriu à sua lembrança: "Podia jurar que eram vivos!"... E de repente pareceu-lhe que sua mãe lhe cantava uma canção. "Mamãe, vou dormir; ah! Como é bom dormir aqui!"

     

    - Venha comigo, vamos ver a árvore de Natal, meu menino - murmurou repentinamente uma voz cheia de doçura.

     

    Ele ainda pensava que era a mãe, mas não, não era ela. Quem então acabava de chamá-lo? Não vê quem, mas alguém está inclinado sobre ele e o abraça no escuro, estende-lhe os braços e... logo... Que claridade! A maravilhosa árvore de Natal! E agora não é um pinheiro, nunca tinha visto árvores semelhantes! Onde se encontra então nesse momento? Tudo brilha, tudo resplandece, e em torno, por toda parte, bonecos - mas não, são meninos e meninas, só que muito luminosos! Todos o cercam, como nas brincadeiras de roda, abraçam-no em seu voo, tomam-no, levam-no com eles, e ele mesmo voa e vê: distingue sua mãe e lhe sorrir com ar feliz.

     

    - Mamãe! mamãe! Como é bom aqui, mamãe! - Exclama a criança. De novo abraça seus companheiros, e gostaria de lhes contar bem depressa a história dos bonecos da vidraça... - Quem são vocês então, meninos? E vocês, meninas, quem são? - Pergunta ele, sorrindo-lhes e mandando-lhes beijos.

     

    - Isto... é a árvore de Natal de Cristo - respondem-lhe. - Todos os anos, neste dia, há, na casa de Cristo, uma árvore de Natal, para os meninos que não tiveram sua árvore na terra...

     

    E soube assim que todos aqueles meninos e meninas tinham sido outrora crianças como ele, mas alguns tinham morrido, gelados nos cestos, onde tinham sido abandonados nos degraus das escadas dos palácios de Petersburgo; outros tinham morrido junto às amas, em algum dispensário finlandês; uns sobre o seio exaurido de suas mães, no tempo em que grassava, cruel, a fome de Samara; outros, ainda, sufocados pelo ar mefítico de um vagão de terceira classe. Mas todos estão ali nesse momento, todos são agora como anjos, todos juntos a Cristo, e Ele, no meio das crianças, estende as mãos para abençoá-las e às pobres mães...

     

    E as mães dessas crianças estão ali, todas, num lugar separado, e choram; cada uma reconhece seu filhinho ou filhinha que acorrem voando para elas, abraçam-nas, e com suas mãozinhas enxugam-lhes as lágrimas, recomendando-lhes que não chorem mais, que eles estão muito bem ali...

     

    E nesse lugar, pela manhã, os porteiros descobriram o cadavérzinho de uma criança gelada junto de um monte de lenha.

    Procurou-se a mãe... Estava morta um pouco adiante; os dois se encontraram no céu, junto ao bom Deus. "

     

     

     

     

    DOSTOIÉVSKI

    A dor do não vivido

     
     
     
     

     

     

    A dor do não vivido...

     

    Definitivo, como tudo o que é simples.

     

    Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

     

    Por que sofremos tanto por amor?

     

    O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão sensacional, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

     

    Sofremos por quê?

     

    Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projecções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

     

    Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

     

    Sofremos não porque nossa mãe é impaciente connosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

     

    Sofremos não porque nosso clube perdeu, mas pela euforia sufocada.

     

    Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

     

    Como aliviar a dor do que não foi vivido?

     

    A resposta é simples como um verso:

     

    Se iludindo menos e vivendo mais!!!

     

     

     

    Carlos Drummond de Andrade

      

     

    Teus filhos

     

     

     

    Teus filhos...

     

      

    Teus filhos não são teus filhos...

     

    São os filhos e filhas da vida, desejosa por si mesma!

     

    Não vêm de ti, senão através de ti…

     

    E embora vivam contigo...

     

    não te pertencem!

     

     

     

    Podes outorgar-lhes teu amor...

     

    Mas não suas almas,

     

    pois suas almas moram na mansão do amanhã

     

    que tu não podes visitar, nem mesmo em sonhos...

     

     

     

    Podes esforçar-te para ser como eles...

     

    Mas não procures fazê-los como tu.

     

    Porque a vida não anda para trás

     

    e não se demora com os dias passados.

     

     

    Tu és o arco

     

    do qual teus filhos são arremessados

     

    como flechas vivas.

     

    Que teu encurvamento na mão de arqueiro

     

     seja para a Felicidade!

     

     

     

     

    Khalil Gibran 

      

     

    Acostumamo-nos sempre....

     

     

    EU SEI, MAS NÃO DEVIAMOS!

     

    Eu sei que toda a gente se acostuma…

    Mas não devíamos.

     

    Acostumamo-nos a morar num apartamento dos fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não temos vista, logo nos habituamos a não olhar para fora. E porque não olhamos para fora, logo nos habituamos a não abrir de todo as cortinas. E porque não abrimos as cortinas, logo começamos a acender mais cedo a luz. E porque à medida que nos acostumamos, esquecemos o sol, esquecemos o ar, esquecemos a amplidão…

     

    Acostumamo-nos a acordar de manhã, sobressaltados porque já está na hora. A tomar café a correr porque estamos atrasados. A ler o jornal no autocarro porque não podemos perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A dormitar no comboio porque estamos cansados. A deitarmo-nos cedo e a dormir pesado sem termos vivido o dia.

     

     

    Acostumamo-nos a ligar a televisão e a ver sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceitamos os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceitamos não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitamos que todos que todos os dias são de guerra, e os números da longa duração das mesmas são normais…

     

     

    Acostumamo-nos a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: Hoje não posso ir. A sorrirmos para as pessoas sem recebermos um sorriso de volta. A sermos ignorados quando precisamos tanto ser vistos.

     

     

    Acostuma-nos a pagar por tudo o que desejamos e o que necessitamos. E a lutar para ganharmos o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisamos. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagaremos mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para termos com o que pagar nas filas em que se cobra. 

     

     

    Acostumamo-nos a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A sermos instigados, conduzidos, desnorteados, lançados na infindável catarata dos produtos que nos querem fazer desejar.

     

     

    Acostuma-nos à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às tolices das letras das músicas. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E habituamo-nos a não ouvir passarinhos, a não colher as frutas da árvore, a não termos sequer uma planta.

      

    Acostuma-nos a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vamos afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.

      

    Se o cinema está cheio, sentamo-nos na primeira fila e torce-mos um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, só molhamos os pés e suamos no resto do corpo. Se o trabalho está duro, consolamo-nos a pensar no próximo fim-de-semana. E se no fim-de-semana não há muito o que fazer, vamos dormir mais cedo e ainda satisfeitos porque temos o sono atrasado. Acostumamo-nos a não nos ralarmos na aspereza para preservar a pele…

     

     Acostumamo-nos para evitar as feridas, os sangramentos, para nos esquivarmos da faca e da baioneta, para poupar o peito.

     

    Acostumamo-nos para poupar a vida!

    A vida que aos poucos se gasta, e que, de tanto nos acostumar-mos, se perde de si mesma.

     

     

    (Adaptado de um texto de Marina Colasanti )

     

     

    Não podemos esqueçer...

     

     

     

    A dor do abandono

     

     

     

     

    Era uma manhã de Sol quente e céu azul quando o humilde caixão contendo um corpo sem vida foi baixado à sepultura.

     

    De quem se trata? Quase ninguém sabe.

     

    Muita gente acompanhando o funeral?

     

     

    Não,apenas umas poucas pessoas...

     Ninguém chora. Ninguém sentirá a falta dela.

    Quase ninguém para dizer adeus ou até breve…

     

    Logo depois que o corpo desocupou o quarto singelo do asilo, onde aquela mulher havia passado boa parte da sua vida, a moça responsável pela limpeza encontrou numa gaveta ao lado da cama, algumas anotações.

     

     

    Eram anotações sobre a dor...

     

     

     

     

     

    Sobre a dor que alguém sentiu por ter sido abandonada pela família num lar para idosos...

     

    Talvez o sofrimento fosse muito maior, mas as palavras só permitem extravasar uma parte desse sentimento, grafado em algumas frases:

     

    Onde andarão meus filhos? Aquelas crianças sorridentes que embalei no meu colo, alimentei com meu leite, cuidei com tanto desvelo, onde estarão? Estarão tão ocupadas, talvez, que não me possam visitar, ao menos para dizer :

     

    Olá Mãe?

     

     

     

     

    Ah! Se eles soubessem como é triste sentir a dor do abandono...

     

     

    A mais deprimente solidão...

    Se ao menos eu pudesse andar...

    Mas dependo das mãos generosas dessas moças que me levam todos os dias para apanhar Sol no jardim... Jardim que já conheço como a palma da minha mão.

     

     

     Os anos passam e meus filhos não entram por aquela porta, de braços abertos, para me envolver com carinho...

    Os dias passam... e com eles a esperança se vai...

     

    No começo, a esperança alimentava-me, ou eu a alimentava, não sei...

    Mas, agora...

     

    Como esquecer que fui esquecida?

     

     

     

     

     

    Como engolir este nó que teima em ficar na minha garganta, dia após dia?

     

    Todas as lágrimas que chorei não foram suficientes para desfazê-lo. Sinto que o crepúsculo desta existência se aproxima... Queria saber dos meus filhos... Dos meus netos...

     

     

     Será que ao menos se lembram de mim?

     

     A esperança, agora, parece estar atrelada aos minutos... Que a arrastam sem misericórdia... Para longe de mim.

     

    Às vezes, nos meus sonhos, vejo um lindo jardim... É um jardim diferente, que transcende os muros deste albergue e se abre em caminhos floridos que levam a outra realidade, onde braços afectuosos me esperam com amor e alegria... Mas, quando eu acordo, é a minha realidade que eu vejo... Que eu vivo... Que eu sinto...

     

     

    Um dia alguém me disse que a vida não se acaba num túmulo escuro e silencioso... Que a vida continua após a morte, de uma outra forma... Mas com certeza a minha matéria, a minha mente, o meu eu dessa vida que vivo agora, com o nome que tenho... Nunca mais existirá! E quando a morte chegar, só restará a saudade que com o passar do tempo se ameniza..

     

     

     

     

     

    (Se é que alguém vai sentir saudades minhas,

    já que não sentem enquanto ainda estou viva neste asilo).

     

    Sinto que a minha hora está a chegar...

     

    Depois que eu partir, gostaria que alguém encontrasse essas minhas anotações e as divulgasse…

     

     

     E que elas pudessem tocar os corações dos filhos que internam seus pais em asilos, e jamais os visitam., que os esquecem.

     

     

     

    Que eles possam saber um pouco sobre a dor de alguém que sente o que é ser abandonado

     

     

     

     Sei que nem sempre fui o melhor pai / melhor mãe do mundo, mas ao meu jeito, sempre te amei...

    Será que podes amar-me um pouco e sacrificares uns minutos da tua vida por mim, de vez em quando?

     

     

     

    ...

     

    A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

     

    A dor é inevitável.

     O sofrimento é opcional.

     

    Carlos Drummond de Andrade         

     

    E se fosse contigo?

            

    A BONECA

      

     

    Outro dia fui ao supermercado para comprar umas  coisinhas de ultima hora para a festa pois não tinha conseguido comprar tudo atempadamente…Quando vi todas aquelas pessoas á minha frente, comecei a reclamar comigo  mesma: "Isto vai demorar a vida toda, e eu  ainda tenho tantas coisas para fazer, outros lugares para ir.

    Como eu gostava de poder apenas deitar-me, dormir e só acordar depois de tudo isto acabar."

     

     Sem notar, quando passei pela secção dos brinquedos, comecei a bisbilhotar todas as coisas mágicas que por ali havia (despertando em mim aquela criança escondida e fazendo-me perder a noção do tempo…) e, á medida que ia vendo os preços, imaginava se as crianças realmente brincam com estes  brinquedos tão  caros.

     

    Entretanto, chamou-me á atenção um rapazinho de mais ou menos 5 anos que segurava uma boneca contra o peito. Ele acarinhava o cabelo da boneca e  olhava tão triste para ela, que tentei imaginar para quem seria aquela boneca que ele apertava tanto.

     

    O menino virou-se para uma senhora próximo e disse: "Avó, tens a certeza que eu não tenho  dinheiro suficiente para comprar esta boneca?" A senhora respondeu: “ Tu sabes que o teu dinheiro não é suficiente, meu  querido, e eu também não tenho para te dar!"

     

     Ela chamou o menino, mas ele pediu-lhe para o deixar ficar ali a ver os brinquedos por mais um bocadinho, enquanto ela iria comprar as outras coisas

     

    O pequeno menino continuava a segurar a boneca nos braços. Finalmente comecei a andar na sua direção e perguntei-lhe a quem queria ele dar aquela boneca e ele respondeu:

     

    "Esta é a boneca que a minha irmã mais adorava, e queria muito ter. Ela estava certa que o papá lhe daria esta boneca este ano. “

    Eu disse-lhe: "Não fiques tão preocupado, eu acho que ele irá dar a boneca á tua irmã, se ela for uma boa menina."

     

    Mas ele triste, respondeu:  "Não, o Papá não poder levar a boneca para onde ela está agora. Eu tenho que dar esta boneca á minha mãe, assim ela poderá dar a boneca à minha irmã, quando ela  for para lá."

     

                                  

     

     

    Seus olhos encheram-se de lágrimas enquanto dizia:

    "A minha irmã teve que ir embora para sempre. O papá disse-me que a mamã também irá embora para perto dela em breve. Então eu pensei que a mamã  poderia levar a boneca com ela e entregar á minha irmã.".

     

    Meu coração parou de bater.

     

    Aquele garotinho olhou para mim e  disse-me: "Eu disse ao papá para dizer á mamã para não ir ainda. Eu pedi – lhe que esperasse até eu voltar do supermercado."

     

    Depois mostrou-me uma foto muito bonita dele rindo, e disse: "Eu também quero que a mamã leve esta  foto, assim ela também não se esquecerá de mim.

    Eu adoro a minha mãe e gostaria que ela não tivesse que partir agora, mas meu pai disse que ela tem que ir para ficar com a minha irmã."

     

     

         

     

    Ele continuava a olhar para a boneca com os olhos tristes e muito quietinho. Eu rapidamente procurei minha carteira, agarrei algumas notas e disse- lhe: "E se nós contássemos novamente o teu Dinheiro, só para termos certeza se chega ou não para comprares a boneca? 

     

    Juntei as minhas notas ás dele, sem que ele percebesse, e começamos a contar o dinheiro. Depois que contarmos, ele viu que dinheiro iria dar para comprar a boneca e ainda sobraria um  pouco. O menino olhou para cima e disse: 

     

    "Obrigado Senhor por atender o meu  pedido e me dar o dinheiro suficiente para comprar a boneca". 

     

    Depois olhou para mim e disse:

     

    "Ontem antes de dormir eu pedi a Deus  que fizesse com que eu tivesse dinheiro suficiente para comprar a boneca, assim a mamã poderia levá-la. Ele ouviu-me... E eu também queria um pouco mais de dinheiro para comprar uma rosa branca para minha mãe, mas eu não quis pedir mais nada a Deus.

    Mas ele deu-me dinheiro suficiente para comprar a boneca e a  rosa. Sabe, a minha mãe adora rosas brancas

    .”

     

                 

     

    Uns minutos depois, a senhora voltou e eu fui embora sem ser notada. Terminei as minhas compras num estado totalmente diferente o que havia começado. Entretanto não conseguia tirar aquela criança do meu pensamento.

     

    Então lembrei-me de uma notícia que li no  jornal local dois dias antes, quando foi mencionado que um homem bêbado num camião, bateu noutro carro, e que no carro estavam uma jovem senhora e uma menina. A criança havia falecido na mesma hora e a  mãe estava em estado grave nos cuidados intensivos e que a família havia decidido desligar as máquinas, uma vez que a jovem não sairia do estado de coma.

     

     

     E pensei, será que era a família daquele menino?  

     

     

                

     

     

     

    Dois dias após meu encontro com ele, li no jornal que a jovem senhora havia  falecido. Eu não consegui conter-me, sai para comprar rosas  brancas e fui ao funeral.... Ela estava a segurar uma linda rosa branca nas mãos, junto com a foto do filho e com a boneca sob o seu peito.

     

    Eu deixei o local a chorar, sentindo que a minha vida tinha mudado para sempre. O amor daquele menino pela mãe e pela irmã contínua gravado na minha  memória... É difícil de acreditar e imaginar que numa fração de segundos, um bêbado tenha tirado tudo daquele pequenino...

         

     

     

    (Preocupe-se um  pouco com as outras pessoas, antes de pegar no carro depois de beber, e agarre nas chaves daqueles que julgar necessário, poderá estar a salvar outras vidas, e a sua também)

     

     

     Quando voltará aquela criança a sorrir???

     

     

               

     

     

    Qual o enigma?

                      

                        

    Certo dia, num mosteiro, o mestre convocou todos os discípulos. Era preciso escolher um substituto para o guardião, que havia morrido. O mestre, com muita tranquilidade, falou:


    - Assumirá o posto o primeiro que resolver o problema que vou apresentar.


       Então o mestre colocou uma mesinha no centro da sala e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza para enfeitá-lo.


    - Aí está o problema, disse o monge.

     
    Todos ficaram olhando a cena: um vaso belíssimo, uma flor maravilhosa... O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

     

     De repente, um dos discípulos sacou a espada, olhou o mestre e os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e zapt! Destruiu tudo num só golpe!

     

    Tão logo o discípulo voltou ao seu lugar, o mestre falou:
    - Você será o novo guardião do mosteiro.


    Moral da história: não importa qual o problema, nem a maneira que ele se apresente. Se for um problema precisa ser eliminado. Mesmo que se trate de um homem ou uma mulher maravilhosa, um grande amor que acabou ou um sentimento doloroso.

                                                                    

    Lições de vida

     

    A lição da borboleta

     

     

    "Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo e um homem ficou observando o esforço da borboleta para fazer com que o seu corpo passasse por ali e ganhasse a liberdade. Por um instante, ela parou, parecendo que tinha perdido as forças para continuar. Então, o homem decidiu ajudar e, com uma tesoura, cortou delicadamente o casulo. A borboleta saiu facilmente. Mas, seu corpo era pequeno e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e ela saísse voando. Nada disso aconteceu. A borboleta ficou ali rastejando, como corpo murcho e as asas encolhidas e nunca foi capaz de voar! O homem, que em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendeu que o casulo apertado e o esforço eram necessários para a borboleta vencer essa barreira. Era o desafio da natureza para mantê-la viva. O seu corpo se fortaleceria e ela estaria pronta para voar assim que se libertasse do casulo. Algumas vezes, o esforço é tudo o que precisamos na vida. Se Deus nos permitisse passar pela vida sem obstáculos, não seríamos como somos hoje.

    A força vem das dificuldades, a sabedoria, dos problemas que temos que resolver. A prosperidade, do cérebro e músculos para trabalhar.

    A coragem vem do perigo para superar e, às vezes, a gente se pergunta: não recebi nada do que pedi a Deus. Mas, na verdade, recebemos tudo o que precisamos. E nem percebemos".

     

    (autor desconheçido) 

     

    Para Reflexão

     

                Retirado de http://spaces.msn.com/members/zurcvc/ 

              (Obrigada Fernando)

    Para Reflexão

    Valorize cada momento da sua vida.

    Naquela manhã, tinha vontade de dormir mais um bocado. Estava cansado porque na noite anterior tinha-se ido deitar muito tarde. Tambem não tinha dormido bem. Tinha tido um sono agitado. Mas abandonou logo a ideia de ficar um pouco mais na cama e levantou-se, a pensar na montanha de coisas que precisava de fazer na empresa. Lavou a cara e fez a barba a correr, automaticamente. Não prestou atencão à cara cansada nem às olheiras escuras, resultado das noites mal dormidas. Nem sequer se apercebeu dum aglomerado de pelos teimosos que escapavam da lâmina de barbear.
    "A vida é uma sequência de dias vazios que precisamos preencher", pensou enquanto atirava a roupa para cima do corpo.”

    Engoliu o café e saiu a resmungar baixinho um "bom dia", sem convicção. Desprezou os lábios da mulher, que se ofereciam para um beijo de despedida. Não notou que os olhos dela ainda guardavam a doçura de mulher apaixonada, mesmo depois de tantos anos de casamento. Não entendia porque ela se queixava tanto da ausência dele e vivia a reivindicar mais tempo para ficarem juntos. Ele estava a conseguir manter o elevado padrão de vida da familia, não estava? Isso não bastava? Claro que não teve tempo para aquecer o carro nem sorrir quando o cão, alegre, abanou o rabo.
    Partiu e acelerou. Ligou o rádio, que tocava uma canção antiga de Roberto Carlos, "detalhes tão pequenos de nós dois..." Pensou que não tinha mais tempo para apreciar detalhes tão pequenos da vida. Anos atrás, gostava de ouvir a música. Mas isso fazia parte de outra época, quando se podia divertir mais.

    Pegou no telemóvel e ligou para a filha. Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos. Ficou sério quando a filha o lembrou de que há tempos que ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar. Ele lutou bastante: sabia que iria gostar muito de estar com o neto, mas não podia, naquele dia, dar-se ao luxo de sair da empresa. Agradeceu o convite,mas respondeu que seria impossível. Quem sabe no próximo fim de semana? Ela insistiu, disse que tinha muitas saudades e que gostaria de poder estar com ele à hora do almoco. Mas ele foi irredutivel, realmente, era impossível.
    Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas. A agenda estava totalmente sobrecarregada, e era muito importante comecar logo a atender os seus compromissos, pois tinha plena convicção de que pessoas de valor não desperdiçam o seu tempo com conversa fiada.

    No que seria sua hora do almoco, pediu para à secretária para trazer uma sanduiche e um refrigerante diet. O colesterol estava alto, precisava de fazer um check-up, mas isso ficaria para o mês seguinte. Comecou a comer enquanto lia alguns papeis que usaria na reunião da tarde. Nem viu o que estava a comer. Enquanto engolia checava os telefonemas que deveria fazer, e sentiu uma pequena tontura, e a vista embaciou. Lembrou-se do medico que o advertiu, alguns dias antes, quando tivera os mesmos sintomas, de que estava na hora de fazer um check-up. Mas ele concluiu logo que era um mal-estar passageiro, que seria resolvido com um café forte, sem acúcar.

    Terminado o "almoco", escovou os dentes e voltou à sua mesa. "A vida continua", pensou. Mais papeis para ler, mais decisões para tomar, mais compromissos a cumprir. Nem tudo saía como ele queria. Comecou a gritar com o gestor, exigindo que este cumprisse o prometido. Afinal, ele estava a ser pressionado pela direcção. Tinha de mostrar resultados.
    Saíu para a reunião já meio atrasado. Nao esperou o elevador. Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus. Parecia que os degraus da garagem estavam a quilómetros de distância,
    encravada no miolo da terra, e não no subsolo do prédio.

    Entrou no carro, partiu e, quando ia engatar a marcha atrás, sentiu de novo o mal-estar. Agora havia uma dor forte no peito. O ar começou a faltar...a dor foi aumentando... o carro desapareceu... os outros carros também... Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua, as luzes do tecto, tudo foi desaparecendo em frenta aos seus olhos, ao mesmo tempo em que surgiam cenas de um filme que ele conhecia bem. Era como se a videocassete estivesse a rodar em câmara lenta. Quadro a quadro, ele via a mulher, o netinho, a filha e, uma após outra, todas as pessoas de que mais gostava.

    Por que é que não tinha ido almocar com a filha e o neto? O que a esposa tinha dito à porta de casa quando ele estava a sair, hoje de manhã? Por que não foi pescar com os amigos no último feriado? A dor no peito persistia, mas agora outra dor começava a perturba-lo: a do arrependimento. Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte, a da coronária entupida ou a da sua alma a rasgar-se.
    Ouviu o barulho de alguma coisa a partir dentro do seu coração, e dos seus olhos escorreram lágrimas silenciosas. Queria viver, queria ter mais uma hipótese, queria voltar para casa e beijar a sua mulher, abraçar a filha, brincar com o neto... queria... queria... mas não houve tempo... 
     

    A quem amamos



    Esta história é sobre um soldado que finalmente estava voltando para casa, após a terrível guerra do Vietnãm. Ele ligou para seus pais, em São Francisco, e lhes disse:
    - Mãe, Pai, eu estou voltando para casa, mas, eu tenho um favor a lhes pedir.
    - Claro meu filho, peça o que quiser!
    - Eu tenho um amigo que eu gostaria de trazer comigo.
    - Claro meu filho, nos adoraríamos conhecê-lo!
    - Entretanto, há algo que vocês precisam saber. Ele foi ferido na última batalha que participamos. Pisou em uma mina e perdeu um braço e uma perna. O pior é que ele não tem nenhum lugar para onde ir. Por isso, eu quero que ele venha morar connosco.
    - Eu sinto muito em ouvir isso filho, nós talvez possamos ajudá-lo a encontrar um lugar onde ele possa morar e viver tranquilamente!
    - Não, eu quero que ele venha morar connosco!
    - Filho, disse o pai, você não sabe o que está nos pedindo. Alguém com tanta dificuldade, seria um grande fardo para nós. Temos nossas próprias vidas e não podemos deixar que uma coisa como esta interfira em nosso modo de viver. Acho que você deveria voltar para casa e esquecer este rapaz. Ele encontrará uma maneira de viver por si mesmo.
    Neste momento, o filho bateu o telefone. Os pais não ouviram mais nenhuma palavra dele.

    Alguns dias depois, no entanto, eles receberam um telefonema da policia de São Francisco.
    O filho deles havia morrido depois de ter caído de um prédio. A policia acreditava em suicídio.
    Os pais angustiados voaram para São Francisco e foram levados para identificar o corpo do filho.
    Eles o reconheceram, mas, para o seu horror, descobriram algo que desconheciam: o filho deles tinha apenas um braço e uma perna.
     
    Reflexão:
    Achamos fácil amar aqueles que são bonitos ou divertidos, mas, não gostamos das pessoas que nos incomodam ou nos fazem sentir desconfortáveis.
    De preferência, ficamos longe destas e de outras que não são saudáveis, bonitas ou "espertas" como nós acreditamos que somos. Ainda bem que existe alguém que não nos trata assim. Alguém que nos ama com um amor incondicional, que nos acolhe dentro de uma só família.
    Esta noite, antes de nos recolhermos, façamos uma pequena prece para que DEUS nos dê a força que precisamos para aceitar as pessoas como elas são, e ajudar a todos, a compreender aqueles que são diferentes de nós.
    Há um milagre chamado AMIZADE, que mora em nosso coração. Você não sabe como ele acontece ou quando surge. Mas, você sabe que este sentimento especial aflora. Aí você percebe que a AMIZADE é o presente mais precioso de Deus.
    Amigos são como jóias raras. Eles fazem você sorrir e lhe encorajam para o sucesso. Eles nos emprestam um ouvido, compartilham uma palavra de incentivo. E estão sempre com o coração aberto para nós.
     

    (Autor desconhecido)

    Acreditam em coincidências?

    Acreditam em coincidências?

     

    Abraham Lincoln foi eleito para o congresso em 1846
    John F. Kennedy foi eleito para o congresso em 1946


     

    Abraham Lincoln foi eleito Presidente em 1860
    John F. Kennedy foi eleito Presidente em 1960


     

    Ambos estiveram muito empenhados em melhorar os direitos civis.
    As esposas de ambos perderam filhos enquanto estavam na Casa Branca.


     

    Ambos os Presidentes foram assassinados numa Quinta-feira.
    Ambos foram alvejados na cabeça.


     

    E só aqui é que se torna mais misterioso:
    A secretária de Lincoln tinha o apelido Kennedy,
    e a secretária de Kennedy tinha de apelido Lincoln.


     

    Ambos foram assassinados por homens do sul dos E.U.A. e,
    ambos substituídos por homens do sul com o mesmo apelido: Johnson.


     

    - Andrew Johnson, que substituiu Lincoln, nasceu em 1808.
    - Lyndon Johnson, que substituiu Kennedy, nasceu em 1908


     

    John Wilkes Booth, que assassinou Lincoln, nasceu em 1839.
    Lee Harvey Oswald, que assassinou Kennedy, nasceu em 1939.


     

    Ambos usavam e eram conhecidos pelos seus 3 nomes,
    algo não muito praticado na cultura norte-americana
    A soma das letras dos nomes de ambos te dará o mesmo número: 15


     

    E se ainda achas que é pouco, segura-te à cadeira!!!
    Lincoln foi assassinado dentro de um teatro de nome "Ford"
    Kennedy foi assassinado num carro Ford modelo Lincoln.


     

    Booth e Oswald foram assassinados antes de serem apresentados a julgamento.


     

    E agora vem a parte final:
    Uma semana antes do seu assassinato, Lincoln esteve em Monroe, Maryland.
    Uma semana antes do seu assassinato, Kennedy esteve com Marilyn Monroe.

     
     

    Uma pequena lição

     

    Filosofia...da vida

     

    Um professor de filosofia parou em frente à classe e, sem dizer uma palavra, pegou num frasco de maionese vazio e encheu com pedras de uns 2 cm de diâmetro.

    Então perguntou aos alunos se o frasco estava cheio.

    Eles concordaram que estava.

    O professor pegou numa caixa com pedras bem mais pequenas, e pô-las dentro do frasco agitando-o levemente. As pedrinhas rolaram para os espaços entre as pedras.

    E perguntou novamente se o frasco estava cheio.

    Os alunos concordaram: agora estava cheio!

    Então o professor pegou uma caixa com areia e despejou-a para dentro do frasco preenchendo o restante.

    Agora, disse o Professor, eu quero que vocês entendam que isto simboliza a vossa vida... As pedras são as coisas importantes: a família, os amigos, a saúde, os filhos, coisas que preenchem a nossa vida. As pedrinhas são as outras coisas que importam: o emprego, a casa, o carro... A areia representa o resto: as coisas pequenas.

    Se vocês colocarem primeiro a areia no frasco, não haverá mais espaço para as pedrinhas e para as pedras. O mesmo vale para a vossa vida. Cuidem das pedras primeiro. Das coisas que realmente importam. Estabeleçam as vossas prioridades.

    O resto é só areia!

    Mas então, o professor pegou no frasco que todos concordaram que estava cheio e perguntou novamente se o mesmo estava cheio.

    Os alunos concordaram: agora sim, estava cheio!

    E vai de entornar um copo de cerveja para dentro do frasco. Claro, a areia ficou ensopada com a cerveja preenchendo todos os espaços restantes dentro do frasco e fazendo com que ele desta vez ficasse realmente cheio.

    E disse: Não importa o quanto a nossa vida possa estar cheia de coisas e problemas, porque sobra sempre espaço para uma cervejinha...

     

     

             

    ACREDITAR E AGIR

    ACREDITAR E AGIR


    "Um viajante ia caminhando em solo distante, às margens de um grande lago de águas cristalinas. Seu destino era a outra margem. Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem coberto de idade, um barqueiro, quebrou o silêncio momentâneo, oferecendo-se para transportá-lo. O pequeno barco envelhecido, no qual a travessia seria realizada, era provido de dois remos de madeira de carvalho. Logo seus olhos perceberam o que pareciam ser letras em cada remo.
    Ao colocar os pés empoeirados dentro do barco, o viajante pode observar que se tratava de duas palavras, num deles estava entalhada a palavra ACREDITAR e no outro AGIR.
    Não podendo conter a curiosidade, o viajante perguntou a razão daqueles nomes originais dados aos remos. O barqueiro respondeu pegando o remo chamado ACREDITAR e remou com toda força. O barco, então, começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava. Em seguida, pegou o remo AGIR e remou com todo vigor. Novamente o barco girou em sentido oposto, sem ir adiante.
    Finalmente, o velho barqueiro, segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente e o barco, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas do lago chegando ao seu destino, à outra margem. Então o barqueiro disse ao viajante: Esse porto se chama autoconfiança. Simultaneamente, é preciso ACREDITAR e
    também AGIR para que possamos alcançá-lo!"

    (Autor desconhecido)

    Os Sentimentos

     

    Os Sentimentos


    SAUDADE é quando o momento tenta fugir da
    lembrança para acontecer de novo e não consegue;

    LEMBRANÇA é quando, o mesmo sem autorização, se mostra e o
    pensamento reapresenta um capítulo;

    ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego;

    PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que ainda
    não aconteceu sair do seu pensamento;

    INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer
    mas acha que devia querer outra coisa;

    CERTEZA é quando a ideia cansa de procurar e pára;

    INTUIÇÃO é quando em seu coração dá um pulinho no
    futuro e volta rápido;

    PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer
    de um filme que pode ser que nem exista;

    VERGONHA é um pano preto que você quer para
    se cobrir naquela hora;

    ANSIEDADE é quando sempre faltam muitos minutos
    para o que quer que seja;

    INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação
    no final do sentimento;

    RAIVA é quando o cachorro que mora em você mostra
    os dentes;

    TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração;

    FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma;

    AMIZADE é quando você não faz questão
    de você e se empresta prós outros;

    CULPA é quando você cisma que podia
    ter feito diferente mas, geralmente não podia;

    LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário;

    RAZÃO é quando o cuidado aproveita que
    a emoção está dormindo e assume o mandato;

    VONTADE é um desejo que cisma que você
    é a casa dele;

    PAIXÃO é quando apesar da palavra "perigo"
    o desejo chega e entra;

    AMOR é quando a paixão não tem outro
    compromisso marcado;

    AMOR é um exagero... Também não. Um dilúvio,
    um mundaréu, uma insanidade, um despropósito,
    um descontrole, uma necessidade, um desejo,
    talvez porque não tem explicação, esse
    negócio de amor não sei explicar.


    (Mário Prata)