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    Velho Castanheiro

     

        

       

    Há um sitio da minha infância onde ás vezes regresso como que em peregrinação à catedral do passado e do fantástico, onde tudo era possível na dimensão exacta do querer.

    Esse lugar é tão-somente a horta grande, que sempre se chamou Valindo, um nome estranho que se ouve como um grito na luxúria ostensiva dos castanheiros velhos que desafiam o tempo como testemunhas de crenças e paixões.

    Pois um dia, em Valindo, na encruzilhada de dois caminhos, mesmo ali ao pé dum Castanheiro em forma de cruz ressequida que abençoa o vale, um almocreve, vindo dos lados da Réfega, apascentava a mula mansa no sossego da tarde. Uma rapariga fresca como a água que corre na fonte, onde as rãs coaxam há milhares de anos, fazia-se horta na pressa de lavrar a terra funda no anúncio do renovo para nascer. A rapariga, numa expressão gaiata, olha o almocreve de soslaio e num sorriso de cristal desafia:

     

    -Almocreve, já voltaste desse mundo de Cristo?! Que não te casas homem, que não tens descanso!... Que mal fizeste a Deus…

     

    O Almocreve no fulgor dos 20 anos limpa o rosto ao lenço tabaqueiro dum vermelho vivo e como quem tenta a sorte no arredio do amor, desafia:

     

    -Se tu quisesses Maria, vendia a mula e ficava para sempre contigo…vá lá, diz que sim!

     

    -Não sejas tonto homem de Deus! Olha, dá-me um beijo e vai-te embora!

     

    O almocreve, na timidez de quem cumpre uma promessa ao Deus desconhecido do amor, com todo o recato, dá-lhe um beijo na testa.

     

    -Assim não seu tonto, um beijo como um homem e uma mulher, pois não sabes que vou casar contigo!

     

    Pois o almocreve não sabia…e o pai da rapariga lavradeira da horta também não. A rapariga havia de casar, não com o almocreve, mas com o filho do compadre, lavrador abastado de milhão, que tinha um bom tagalho de cabras, terras a perder de vista e adega fresca junto ao ribeiro.

     

    Mas a rapariga endoidou pelo almocreve e a jura fê-la ali, na encruzilhada de Valindo, junto ao castanheiro meio seco:

     

    -Ou caso com o almocreve, ou não caso com ninguém.

     

    E assim foi. A rapariga nunca mais casou para desgraça do pai, honrado lavrador.

    O tempo passou e às vezes, pela calada da noite, a rapariga saindo de casa embrulhada num xaile preto, como quem vai a um funeral, ou a sinistras bodas, lá ia ela como um fadário para junto do castanheiro na encruzilhada de Valindo.

    No povoado já se falava que a rapariga ia encontrar-se com as bruxas à encruzilhada dos caminhos, sobretudo quando a lua era cheia e os grandes bailes das bruxas ganham fama de estrondoso rebuliço e medo. Por isso, ninguém na aldeia tinha coragem de se fazer à horta em noite de lua cheia.

    Contudo, um velho sabido da vida e das coisas do amor, jurava que a rapariga, todas as noites de lua cheia ia encontrar-se com o seu almocreve num amor único, imaterial e sem fim na horta de Valindo.

    O tempo passou e a fama duma bruxa já velha e carcomida pelas longas caminhadas para a horta entrou no quotidiano da pequena aldeia e quando a lua cheia se levantava lá para os lados da ribeira, a velha, mais velha do que nunca lá ia para o seu fadário. As

    Mulheres benziam-se e murmuravam sem rancor:

     

    -Lá vai ela para o seu chamamento…que desgraça, Deus tenha piedade dela!

     

    Mas uma noite, a velha com fama de bruxa e um velho vindo dos lados da Réfega encontraram-se debaixo do castanheiro, sempre debaixo do castanheiro!

     

    -Dá-me um beijo, seu tonto…que se calhar é o ultimo, as pernas já não me ajudam a vir ver-te, almocreve do diabo! Não casei contigo, seu tonto, mas tivemos as noites mais bonitas do mundo…que o diga o castanheiro, que o diga a lua cheia…não me posso queixar!

     

    Bem perto um rapaz e uma rapariga, dentro dum automóvel amarelo, vindos do lado de Espanha, Descansavam junto ao castanheiro e ela no sorriso mais cristalino do mundo, dizia para o rapaz:

     

    -Dá-me um beijo, seu tonto…pois não sabes que vou casar contigo!

     

    Então o velho almocreve e a velha lavradeira da horta, com fama de bruxa, sorriram e entenderam que estavam a nascer de novo, pois ninguém morre para sempre quando se quer bem, que o diga o velho castanheiro, que na morneza da noite de certo já assistiu a mil, a cem mil, não sei quantas juras de amor…para sempre.

     

     

    Fernando Calado - Há homens atrás dos montes

     
     
     

    Recordações...

     
    DIRTY DANCING- Final Dance
    Colocado por Stella78

    Porque milagres existem...

     

     

    A morte lembrou-se um dia

    dum botãozinho de Rosa

    para sua companhia:

    Pôs os olhos na mais airosa

    das pequeninas que via;

    fez-lhe um aceno, a chamá-la;

    veio achá-la dormindo;

    mas viu-lhe um sono tão lindo

    que se esqueceu, a embalá-la,

    de que viera buscá-la.

     

     

     

    José Régio

     

    Pele

     

     

                                               

                        

     

     

     

     

     

                           Pele

     

     

    Fechaste as portas do teu mundo

    Na esperança de ele se encontrar

    Vais contando o tempo quase ao segundo

    Parece não querer passar

                                                                                         

    Fazes de conta que está tudo bem

    E andas às voltas quando estás a sós

    Gritos mudos que só tu entendes

    No profundo silêncio que é a tua voz 

                

    Não precisas de te esconder

    Ninguém vai encontrar

    O que está escrito na tua pele

    Só tu para o decifrar   

                                                                             

    Qual o teu traço a pincel

    A história da tua vida

    Escrita, sentida, tatuada na pele

     

    Quem lá escreveu

    Com a tua permissão

    Nem sequer, nem sequer percebeu

    E perdeu a folha pele

    Por entre as mãos

     

     

     

     

     

    Polo Norte

     

     

    Eis-me

     

    Eis-me

     

     

    Eis-me

    Tendo-me despido de todos os meus mantos

    Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses

    Para ficar sozinha perante o silêncio

    Ante o silêncio e o esplendor da tua face

     

    Mas tu és de todos os ausentes o ausente

    Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca

    O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras

    E o teu encontro são planícies de silêncio

     

    Escura é a noite

    Escura e transparente

    Mas o teu rosto está para além do tempo opaco

    E eu não habito os jardins do teu silêncio

    Porque tu és de todos os ausentes o ausente.

     

    (Sophia De Mello B. Andresen)

     

     

    Relógio...

     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Acordo de noite subitamente.
    E o meu relógio ocupa a noite toda.
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Não sinto a Natureza lá fora,
    O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Lá fora há um sossego como se nada existisse.
    Só o relógio prossegue o seu ruído.
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    E esta pequena coisa de engrenagens que está em cima da minha mesa
    Abafa toda a existência da terra e do céu...
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Quase que me perco a pensar o que isto significa,
    Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Porque a única coisa que o meu relógio simboliza ou significa
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    É a curiosa sensação de encher a noite enorme
    Com a sua pequenez...
     
     
     
     
     
     
     
     
    Fernando Pessoa
     
     (Talvez por hoje me sentir "pequenina" perante a imensidão que é viver...Talvez por isso hoje tenha escolhido este poema de Pessoa) 
     

    Adao e Eva

     
     
     
     
     
    Olhámo-nos um dia,
    E cada um de nós sonhou que achara
    O par que a alma e a cara lhe pedia.

    - E cada um de nós sonhou que o achara...

     

     


    E entre nós dois
    Se deu, depois, o caso da maçã e da serpente,...
    Se deu, e se dará continuamente:
     
     
     


    Na palma da tua mão,
    Me ofertaste, e eu mordi, o fruto do pecado.

    - Meu nome é Adão...
     

    E em que furor sagrado
    Os nossos corpos nus e desejosos
    Como serpentes brancas se enroscaram,
    Tentando ser um só!´

     
     

    Ó beijos angustiados e raivosos
    Que as nossas pobres bocas se atiraram
    Sobre um leito de terra, cinza e pó!

    Ó abraços que os braços apertaram,
    Dedos que se misturaram!

    Ó ânsia que sofreste, ó ânsia que sofri,
    Sede que nada mata, ânsia sem fim!
    - Tu de entrar em mim,
    Eu de entrar em ti.

     
     

    Assim toda te deste,
    E assim todo me dei:

    Sobre o teu longo corpo agonizante,
    Meu inferno celeste,
    Cem vezes morri, prostrado...
    Cem vezes ressuscitei
    Para uma dor mais vibrante
    E um prazer mais torturado.
     
     

    E enquanto as nossas bocas se esmagavam,
    E as doces curvas do teu corpo se ajustavam
    Às linhas fortes do meu,
    Os nossos olhos muito perto, imensos,
    No desespero desse abraço mudo,
    Confessaram-se tudo!
    ... Enquanto nós pairávamos, suspensos
    Entre a terra e o céu.

    Assim as almas se entregaram,
    Como os corpos se tinham entregado,
    Assim duas metades se amoldaram
    Ante as barbas, que tremeram,
    Do velho Pai desprezado!
     

     
     

    E assim Eva e Adão se conheceram:

    Tu conheceste a força dos meus pulsos,
    A miséria do meu ser,
    Os recantos da minha humanidade,
    A grandeza do meu amor cruel,
    Os veios de oiro que o meu barro trouxe...

    Eu, os teus nervos convulsos,
    O teu poder,
    A tua fragilidade
    Os sinais da tua pele,
    O gosto do teu sangue doce...
     

    Depois...

    Depois o quê, amor?
    Depois, mais nada,
    - Que Jeová não sabe perdoar!

     

    O Arcanjo entre nós dois abrira a longa espada...

    Continuamos a ser dois,
    E nunca nos pudemos penetrar!

     

     

     

     

    José Régio

    Mais uma musica que me conquistou...

     

     

      

    Quiero Perdérme En Tu Cuerpo

     

     

     

     

    Quiero perderme en tu cuerpo

    Como agua clara de un bosque de sol

    Mirar en tus ojos inciertos

    Donde sembrara mil sueños de amor

    Quiero beber en tus labios esa caricia de luna y de miel

    Y descubrir el encanto

    De la pasion que se esconde en tu piel

     

     

     

     

    Quiero pintar con tus besos

    Un cielo de estrellas sembrado de luz

    Buscar abrigo en tu cuerpo

    En la noche eterna de tu juventud

    Quiero saciar mi locura

    En la tibia playa de tu desnudez

    Para llenar de ternura

    La inocencia pura de hacerte mujer

     

     

     

     

    Quiero escapar por tu vientre para nuevamente llenarme de paz

    Que es tan inmenso tenerte

    Clavada en mi pecho como una verdad

    Quiero entregarte mis años

    Mis ansias de amarte, mi fuerza mi fe

    Para llegar de tu mano

    Al rincón sagrado q siempre soñe

     

     

     

     

    Quiero pintar con tus besos

    Un cielo de estrellas sembrado de luz

    Buscar abrigo en tu cuerpo

    En la noche eterna de tu juventud

    Quiero saciar mi locura

    En la tibia playa de tu desnudez

    Para llenar de ternura

    La inocencia pura de hacerte mujer

     

     

     

     

    ...

     

    Musica: David Bisbal 

     

     

    Soneto...

     
     
     
     

    Soneto da perdição

     

     

     

     


    Deu-me um deus de legado o tempo escasso
    e o anseio de retê-lo em urdiduras.
    Murcham flores nos campos por que passo
    exilado em angústias já maduras.

     

     

     

     

     

     

    O que sou não sei bem, nem o que faço.
    Débil luz entrevejo nas clausuras
    das fatais emoções em que desfaço
    a antiga vocação das coisas puras.

     

     

     

     

     

     

    Viajante que perdeu os seus roteiros
    por querê-los é que ando em desatino
    sob o cerco de demónios traiçoeiros.

     

     

     

     

     

     

    Nau fendida que busca o porto vasto,
    quanto mais de meus rumos me aproximo
    mais sinto que de mim próprio me afasto.

     

     

     

    João Carlos Teixeira Gomes

     

     

    Saudades

     
     
     
     
     
     
     
      

    Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida

     

     

     


    Quando vejo fotos, quando sinto cheiros,
    quando oiço uma voz, quando me lembro do passado,
    eu sinto saudades...

     

     

     


    Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
    de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

     

     

     


    sinto saudades da minha infância, da minha escola,

     

     

     

     

     

    do meu primeiro amor, do meu segundo,
    do terceiro, do penúltimo
    e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

     

     

     


    Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
    lembrando do passado e apostando no futuro...

     

     

     

     

     


    Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
    provavelmente não será da forma que eu penso que vai ser...

     

     

     


    Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
    de quem disse que viria e nem apareceu;
    de quem apenas passou, sem me conhecer de verdade,
    de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

     

     

     

     

     


    Sinto saudades dos que se foram
    e de quem não tive tempo de me despedir;
    daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
    de gente que passou na estrada contrária da minha vida
    e que só vi de relance;

     

     

     

     


    de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
    de coisas que nem sei que existiram.


    Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
    de casos, de experiências...

     

     

     

     

     


    Sinto saudades do cachorrinho que tive um dia e que me amou fielmente, como só os cães são capazes de fazer,
    dos livros que li e que me fizeram viajar,dos discos
    que ouvi e que me fizeram sonhar,
    das coisas que vivi e das que deixei passar,
    sem as sentir na totalidade…

     

     

     

     


    Quantas vezes tenho vontade de encontrar
    não sei o que, não sei onde, para resgatar alguma coisa
    que nem sei o que é e nem onde perdi...

     

     

     

     


    Vejo o mundo girar e penso que poderia estar
    a sentir saudades em japonês, em russo, em italiano,
    em inglês, mas que, a minha saudade, por eu ter nascido
    Portuguesa, só fala português, embora, lá no fundo,
    possa ser poliglota.

     

     

     

     

     


    Aliás, dizem que todos nós usamos sempre a língua mãe, espontaneamente,
    quando estamos desesperados, para contar dinheiro,
    fazer amor e declarar sentimentos fortes, seja lá
    em que lugar do mundo estejamos a fazê-lo.

     

     

     


    Eu acredito que um
    simples "I miss you", ou seja lá como possamos
    traduzir saudade em outra língua, nunca terá a
    mesma força e significado da nossa palavrinha saudade.
    Talvez não exprima correctamente a imensa falta
    que sentimos das coisas ou das pessoas queridas.

     

     

     

     

     


    E é por isso que eu tenho mais saudades...
    Porque encontrei uma palavra
    para usar todas as vezes em que sinto este
    aperto no peito, meio nostálgico,
    meio adocicado, mas que funciona melhor do que
    um sinal vital quando se quer falar de vida
    e de sentimentos.

     

     

     

     


    Ela é a prova inequívoca de
    que somos sensíveis, de que amamos muito o
    que tivemos e lamentamos as coisas boas
    que perdemos ao longo da nossa existência...

     

     

     

     

     


    Sentir saudade,
    é sinal de que se está vivo!

     

    (Obrigada Mizia)

     

     

    Enleio

     

     

     

     

    Não sei se volteio

    Se rodopio

    Se quebro

     

     

     

     

     

    Se tombo nesta queda

    em que passeio

     

     

     

     

     

    Não sei se a vertigem

    em que me afundo

    é este precipício em que me enleio

     

     

     

     

     

     

    Não sei se cair assim me quebra...

     

     

     

     

     Me esmago ou sobrevivo

     

     

     

     

    em busca deste anseio

     

    Maria Tereza Horta

     

    Onde andas...

      

     

     

     

     

     

     

         

     

     

    Trago nos pés a areia do teu corpo.

    Caminhei-te como quem te persegue.

    Passeei-te como quem te conhece.

     

    E trago nos pés as

    conchas que pisei

    e a espuma sonora.

     

    Trago nos pés

    os seixos doridos

    de negro e de maré.

     

    Trago-te nos pés

    como quem te segura.

    E levo-te, para sempre.

     

     

     

     

     

    (Alexandra Alpha)

     

     

     

     

     

    Easy Free Borders from TagBot Borders

    Quando Nuvens Inspiram...

     

     

    Da minha janela, moldo

     

        imagens com flocos de nuvens,

     

      enquanto das mãos de meu pintor,

     

        nascem verdes campos na tela,

     

    velhas memórias de terras nativas. 

     

     

       

     Se penso em beijos ardentes,

     

    carícias repletas de gozo,

     

    de repente,

     

      entram pela janela

     

    os ventos descuidados dos amantes

     

      que derramam tintas, espalham pincéis,

     

     levantam, ondulam minha saia,

     

    mostram ao meu pintor terra a vista,

     

     que suas mãos de artista

     

     tão bem sabem traçar. 

     

       Meu pintor, meu amante,

     

      que fingi não ver,

     

      agora me abraça, me beija

     

      misturando arte, fogo e prazer.

     

    Se nuvens se esvaem,

     

      que importa?

     

                                                             

     

     

     

    Em terras onde paixão floresce,

     

      

    o amor que pinte sua paisagem.

     

     

    Quero ser a praia de areias voando,

     

     

    e ele, o rio que retorna,

     

      sereno e morno.

     

     

     

     

     

    Rosa Clement

     

    Maria Bethânea

     

     

      Eu não existo sem voçê

     

                       Eu sei e você sabe, 

                  já que a vida quis assim

                  Que nada nesse mundo

                      levará você de mim

     


             Eu sei e você sabe

                          a distância não existe


                                 E  todo grande amor
                                         Só é bem grande se for triste


                                             Por isso, meu amor
                                                   Não tenha medo de sofrer


                     Pois todos os caminhos
                                        Me encaminham pra você

        

           Assim como o oceano
                Só é belo com luar
                     Assim como a canção
                          Só tem razão se se cantar


                                   Assim como uma nuvem
                                         Só acontece se chover
                                               Assim como o poeta
                                                    Só é grande se sofrer


                  Assim como viver
                      Sem ter amor não é viver


                                               Não há você sem mim
                                            E eu não existo sem você ...

     

    (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

     

    Sei!...

     

     

    (Eu sei...) 

     

    ....Sei de sobra
    Que nunca terei uma obra.
    Sei, enfim,
    Que nunca saberei de mim.
    Sim, mas agora,
    Enquanto dura esta hora,
    Este luar, estes ramos,
    Esta paz em que estamos,
    Deixem-me crer
    O que nunca poderei ser.

     

     

     

     Ricardo Reis/Fernando Pessoa

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    Éramos nós!

     

     

    E então, éramos nós
    um corpo e outro,
    entregues, envoltos
    na noite, faróis

    Éramos nós

    E então, duas peles
    de cores irmãs,
    trocavam sabores,
    rompiam manhãs

    Éramos nós

    E então, éramos nós
    do tempo esquecidos
    de carne ,tecidos,
    ardendo, a sós

    Éramos nós

    E então, artistas que somos,
    brincamos de cores, com nossos lençóis
    Os pincéis que usamos?
    Trouxemos guardados, bem dentro de nós

    Éramos nós

    E mais nada havia,
    na casa vazia,
    tão cheia de nós
    E o tempo de ir,
    se aproximava
    e a saudade chegava
    precisa, veloz

    Éramos nós...

     

    Ana Maria Vergne de Morais

     

     

    Teu beijo

     

     

    Teu beijo cor do mar...

     

     

     

     

                Teu beijo com cor de mar...

     

    Vê em meus lábios um sorriso,

    após o teu beijo, que tanto preciso,

    como o mar desenha na fina areia,

    é assim a tua boca quando na minha passeia.

     

    Lábios suaves, fina porcelana,

    nobre argila, suave perfume que emana,

    tem a cor do sangue, vermelho , encarnado,

    fecho os olhos e perco-me  no teu pecado.

     

    E em teu beijo desconheço meu destino,

    sinto o gosto a mel, sabor divino

    nos teus lábios húmidos e sedutores,

    entreabertos ,

    entrego-te os meus sonhos num futuro incerto

     

    No mistério do teu beijo ocultas um segredo,

    E no teu beijo sedutor vou-me dissolvendo sem medo…

     

     

     

    Um dia!...

                  Há-de haver!
     

     

    Há-de haver um tempo e um espaço só para nós

    Há-de ser o vento a trazer-nos a emoção

    Há-de ser o Mar a chamar-nos para o Amor

    Há-de ser o Arco-Íris a canção de um trovador

     

    Há-de ser o Sonho a segredar-nos o Pôr-do-Sol

    Há-de ser o céu azul a violeta que seduz

    Há-de ser a flor do jardim do coração

    A mais bela prenda que cultivei só para ti

       

    Há-de ser a luz do teu Luar

    A brilhar meus olhos de encanto e de saudade

    Hão-de Montanhas e Vales o leito

    Os berços de oiro que embalam o Sol poente

    Do amor nascente 

    Hão-de ser os sinos a juntar-nos num só fogo

    E as andorinhas a indicarem os caminhos

    Há-de ser o Sol o sorriso destas flores

    A fazer nascer a Primavera do nosso Amor!

      

     

     

     

    "Caiu em desuso dizer"

     

     

    Apropósito do Nó de Amor que aqui publiquei e que tocou vários corações, chegou-me , pela mão de alguém que admiro muito uma história veridica que não quero deixar de partilhar com todos vós.

     

    Espero que vos toque da forma que me tocou.

     

    Aproveito para agradeçer os comentários e os emails que me enviaram, é  maravilhoso sentir o vosso amor.

     

    Apenas assim, tudo isto faz sentido...

     

    Um beijo e (já agora)

    Um

    AMO-TE

    muito especial

     

    Sónia

     

     

     

     

     

    “CAIU UM DESUSO DIZER”

     

    “Permitam-me que desabafe aqui, neste cantinho, pois hoje é daqueles dias em que, à falta de uma mãe ao meu lado para me consolar, vingo-me no teclado para catapultar palavras de alguma apreensão.

     

    Hoje, quando levei a minha filha ao colégio, estivemos alguns minutos abraçadas. Só este facto pareceu estranho a alguns pais que ali depositam os filhos, quais sacas de cimento, e correm com afinco e a barafustar ao se afastarem sem um pequeno "Até logo".

     

    O que se passou, foi que a minha menina ontem teve um atrito com uma colega. Chocaram uma na outra num jogo de futebol (sim, há mulheres que jogam e gostam de futebol!) e enquanto a minha menina feriu o queixo a outra criança magoou-se na têmpora. Nenhuma delas pediu desculpa à outra e o clima entre elas era tenso.

     

    Estava eu a consolar a minha filha e a dizer-lhe que quando a coleguinha chegasse devia falar com ela, enquanto a abraçava e dava beijocas no dói-dói, quando um casal estava especado, olhos fixos em nós duas, como se tivéssemos lepra ou qualquer coisa pior.

     

    Quando me despedi dela e lhe disse: "Então até logo, amor. A mamã ama-te muito", ao que ela respondeu "Também te amo bués de muito, mamã", o casal resolvei interpelar-me e perguntar se tinha acontecido algum drama. Respondi que além da ferida do queixo e sentimento de culpa da minha menina, nada mais estava a ocorrer, era um dia normal.

     

    A resposta deles foi implacável: "Sabe, não é muito normal as mães ou pais estarem aqui aos beijos aos meninos, ainda mais a dizerem-lhes que os amam e assim. Não sei se isso não será prejudicial para os outros meninos. É que isso de andar a dizer "amo-te" aos filhos é um pau de dois bicos. Eles habituam-se e depois ficam carentes e estupidinhos para a vida. Tudo o que seja manifestar carinho em publico devia ser evitado, ainda mais nesta época de pedofilia e assim..."

     

    Sabem qual foi a minha reacção? Fiquei de tal forma estupidificada que nem respondi. Peguei no que sobrou de mim naquele momento e saí do colégio com o coração mais pequeno do que uma amora engelhada.

     

    Agora que já macerei o tema e já pensei bem no assunto, vou fazer aquilo que me parece mais lógico: Logo, quando for buscar a minha filha, vou levar vestida uma t-shirt que a minha filha me ofereceu. Diz assim: "Mãe, és linda e eu amo-te". E vou tentar não me esquecer de lho retribuir todos os dias. Seja no recreio da escola, seja em casa, seja no jardim, seja onde for. Seja quando estejamos felizes, zangadas, cansadas, seja à frente de estranhos, conhecidos, família, seja no aconchego do sofá ou enquanto lhe leio uma história.

     

    Será amar pecado? Será dizê-lo pecado? Não importa. Não posso é deixar o "amo-te" cair em desuso.

     

    Um abraço”

     

    Autor: Beatriz Fidalgo

     

     

    No amor

     

     

    No amor…

     

     

     

     

     

     

    No amor, os beijos, as carícias, os gestos de afecto tornam-se mágicos.

    Um simples detalhe tem a cumplicidade de um sentir.

    O veludo do toque, simples, forte, quente como um vulcão revirando massas.

    Fugaz a chama que consome os corpos. Luz forte que se apaga.

     

    A paixão acende e arde como uma fogueira, o amor é o fogo que consome no seu silêncio. No amor, não importa se chove ou faz Sol, não importa que o Céu seja cinzento ou azul, não importa que as estrelas deixem de brilhar…

     

    No verdadeiro amor, só importa o calor mágico que consome a alma.

    Só importa que o amor consome as vidas que realmente amam.

    As frases soltas, os momentos, os lugares, os sonhos, tudo tem outro contorno.

    A realidade consumindo outra cor, os desejos redobrando-se, todas as formas de amar, as mais simples ganham a magia da simplicidade do querer do amor.

     

     No amor, vive-se o momento, buscando o sabor do amanhã, vive-se, sobrevive-se, ama-se independentemente das vicissitudes.

     

     

     

     E se eu não te amar meu amor, com toda a minha honestidade, fecha a porta do teu coração. E se eu não te amar meu amor, com toda a certeza do meu amor que serei eu???

     

     

    jamie_jamour